Pesquisa inédita amplia conservação de espécies ameaçadas
O Instituto Butantan realizou o primeiro sequenciamento genômico em nível cromossômico da jararaca-ilhoa, serpente endêmica do Brasil, em um estudo que amplia o entendimento sobre a evolução e a composição do veneno da espécie. A pesquisa, publicada na revista Genome Biology and Evolution, analisou indivíduos restritos à Ilha da Queimada Grande e revelou informações detalhadas sobre sua genética, história evolutiva e processos de adaptação.
O trabalho contou com apoio da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo e da National Science Foundation, fortalecendo a cooperação científica internacional e permitindo avanços no mapeamento genético da espécie. Segundo os pesquisadores do Instituto Butantan, o genoma funciona como um “mapa” completo do material genético, reunindo todas as informações essenciais para o desenvolvimento do organismo.
As análises indicam que genes ligados às toxinas do veneno passam por intenso processo de seleção natural, o que sugere adaptações específicas ao ambiente insular. Essas mudanças podem estar relacionadas à dieta baseada em aves migratórias que chegam à ilha, já que não há presença de roedores no local. O estudo também avaliou a variabilidade genética de diferentes indivíduos da população, buscando compreender seu histórico evolutivo ao longo do tempo. Os resultados apontam que a espécie passou por períodos de isolamento e possível reconexão com o continente em fases anteriores da história.
A estimativa é de que a separação mais recente tenha ocorrido entre 10 e 15 mil anos, influenciando sua diversidade genética atual. Apesar da baixa variabilidade, os dados indicam que a espécie mantém condições de sobrevivência, embora esteja classificada como criticamente ameaçada pela International Union for Conservation of Nature e pelo Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade.