Região Centro-Oeste, 9 de julho de 2026

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Plano Safra chega com crédito recorde, mas custo preocupa produtores

Juros altos e burocracia desafiam financiamento da safra de verão
Foto: Divulgação

Especialista alerta para planejamento financeiro no campo

O lançamento do Plano Safra 2025/2026 trouxe a promessa de um volume recorde de recursos para financiar o agronegócio, renovando as expectativas dos produtores para a safra de verão. Apesar do anúncio positivo, especialistas avaliam que o acesso ao crédito poderá ser mais caro e burocrático devido à elevação das taxas de juros e ao maior peso das linhas vinculadas ao mercado financeiro. Segundo o advogado especialista em Direito do Agronegócio e CEO do João Domingos Advogados, Leandro Marmo, o valor divulgado pelo governo não representa, necessariamente, as condições encontradas pelos produtores na contratação dos financiamentos.

Ele explica que apenas parte dos recursos conta com juros equalizados pelo Tesouro Nacional, enquanto o restante acompanha a Selic e as condições impostas pelas instituições financeiras. Marmo também chama atenção para o custo efetivo das operações, que frequentemente inclui a contratação de seguros, títulos de capitalização, consórcios e outros produtos financeiros, elevando o valor final pago pelo produtor. Além disso, a burocracia continua sendo um dos principais entraves, com exigências como Cadastro Ambiental Rural (CAR) regularizado, projetos técnicos e análise documental, fatores que podem atrasar a liberação dos recursos e comprometer o calendário de plantio.

Para reduzir riscos, o especialista recomenda diversificar as fontes de financiamento, combinando o Plano Safra com alternativas como operações de barter, utilizando a Cédula de Produto Rural (CPR), e instrumentos de proteção de preços, como contratos futuros de hedge.

Marmo também orienta atenção redobrada aos contratos firmados com instituições financeiras, já que nem todas as modalidades asseguram os direitos previstos na legislação do crédito rural, incluindo a possibilidade de prorrogação de dívidas em casos de quebra de safra. Na avaliação do especialista, planejamento financeiro, gestão de riscos e segurança jurídica serão fatores decisivos para garantir competitividade e preservar a rentabilidade da produção na próxima temporada agrícola.

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