Alta nos preços da carne reflete baixa oferta e desafios sanitários
A carne bovina atingiu um novo recorde de preço nos Estados Unidos, impulsionada pela redução histórica do rebanho e pela menor disponibilidade de animais para abate. Em maio, os consumidores americanos pagaram, em média, US$ 7,064 por libra de carne moída, valor 13% superior ao registrado no mesmo período do ano passado. Segundo estimativas do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos, o país possui atualmente 86,7 milhões de cabeças de gado, o menor efetivo dos últimos 75 anos.
Além do ciclo de baixa da pecuária, a seca prolongada e os elevados custos de produção têm dificultado a recomposição dos rebanhos. O cenário se agravou com o ressurgimento da mosca-varejeira-do-novo-mundo em bezerros do Texas, primeiro registro em cinco décadas, levando autoridades a reforçarem inspeções e restrições ao transporte de animais. Estados americanos passaram a exigir licenças específicas para carregamentos de gado, enquanto o Canadá e os próprios EUA adotaram medidas que reduziram o fluxo comercial de animais vivos.
Especialistas alertam que, embora o parasita não represente risco à segurança alimentar, as ações de contenção podem restringir ainda mais a oferta de gado. Cerca de 80% do rebanho americano está localizado em áreas afetadas pela estiagem, fator que amplia a preocupação do mercado. A combinação entre fatores climáticos, sanitários e comerciais mantém a perspectiva de preços elevados para a carne bovina nos Estados Unidos nos próximos meses.