Região Centro-Oeste, 3 de abril de 2025

Prepare-se para o Leilão Virtual: Entrevista exclusiva com Gis

Fazenda Machado localizada em Dores do Indaiá-MG
Fonte: arquivo pessoal da Gis. Dores do Indaiá-MG.

Giselle Gontijo é uma mulher determinada e apaixonada por vendas. Ela trabalhou por muitos anos como vendedora de sêmen e treinadora de inseminadores em fazendas pelo interior do Brasil. Apaixonada pelos zebuínos da raça Tabapuã, Giselle relata que suas conquistas vieram com dificuldade, mas reconhece que esse caminho foi necessário para valorizar tudo o que possui atualmente.

Mais conhecida como Gis, ela já recebeu prêmios nos Estados Unidos por ser a maior vendedora de sêmen do Brasil. “Eu vendia o produto que o cliente precisava no momento. Deus sempre me guiou para ajudar aqueles clientes que eu chamava de amigos e parceiros. Entrei como vendedora, depois comprei a parte dos outros sócios e me tornei a dona da empresa FertGen. Ainda sou muito conhecida como a Giselle da FertGen.”

PERGUNTA: Olá, Gis. Tudo bem? Antes de começarmos, poderia nos contar um pouco sobre sua história, seu amor pela fazenda e como sua família chegou até aqui?

GIS: Eu nasci e fui criada nesta fazenda, que era administrada pelo meu saudoso pai até seu falecimento em 2006. Meu umbigo está enterrado no jardim, e dei meus primeiros passos no curral, literalmente “pisando na bosta” (risos). Embora morássemos na cidade de Dores do Indaiá-MG, passávamos as férias aqui. E eu preferia estar com meu pai, ajudando na lida do campo e dos animais. Meus pais são meus ídolos, e essa proximidade com meu pai me deu afinidade com a fazenda, o gado, o manejo e o relacionamento com nossos colaboradores. O mais importante é que a Fazenda Machado hoje é uma equipe. Juntos, conseguimos criar a Grande Campeã de Uberaba-MG, a melhor fêmea Tabapuã do ano de 2023.

PERGUNTA: Então vocês moravam na cidade. Conte-nos mais detalhes sobre a Fazenda Machado, toda essa energia e tranquilidade que observamos no manejo dos animais.

GIS: Esta é uma fazenda centenária. Meu pai tinha esta sede e mais quatro fazendas, que hoje pertencem aos meus irmãos. Ele me deixou a fazenda-sede em vida, por doação, tudo feito com planejamento e sucessão familiar. A energia boa que temos aqui vem da alegria dos meus pais, que doaram as terras e os animais em vida, sabendo que eu cuidaria de tudo. Nesse meio tempo, surgiu a Mariana, minha grande companheira. Ela gosta do trabalho dela como tabeliã, mas de vez em quando eu a trago para ajudar aqui na fazenda.

PERGUNTA: Em suas postagens mais antigas no Instagram, vemos frequentemente a Gogoia em momentos felizes e divertidos. Como começou essa relação de carinho e cumplicidade? Quem são as pessoas mais importantes na sua vida?

GIS E MARIANA: Infelizmente, em 2023, perdemos “minha mãe preta”, a Glória, que me deu o primeiro banho e cuidou de mim quando meu umbigo caiu. Hoje, sinto a energia e a magia do meu pai, da minha mãe e da “minha mãe preta” a Gogoia, três almas que sempre nos abençoam. No trabalho de continuidade da sucessão, tenho minha parceira e companheira, a Mariana, que sempre me apoia.

PERGUNTA: Por que você decidiu assumir a fazenda e qual o motivo de escolher a criação de gado da raça Tabapuã?

GIS: Como mencionei anteriormente, meu pai deixou a fazenda-sede para mim em vida, por doação, tudo feito com planejamento e dentro da sucessão familiar. A gestão da fazenda foi passada em vida, e eu me formei em Medicina Veterinária em 1993. Após a faculdade, fui trabalhar na FertGen Fertilidade e Genética Ltda, uma empresa de inseminação artificial de todas as raças bovinas. Não tinha como fugir da vocação agropecuária, envolvendo-me com bovinocultura, reprodução e inseminação, áreas que eu já dominava.

Fonte: arquivo pessoal da Gis. Dores do Indaiá-MG

Tenho o dom de vendas, herdado de minha saudosa mãe, e sei vender o que é bom. Tornei-me sócia da empresa FertGen. Não voltei logo para casa para não contrariar meus pais, pois sabia que meu pai não aceitaria bem as minhas novidades. Muitos filhos de fazendeiros enfrentam essa situação hoje em dia. Mas meu pai percebeu que eu estava tendo sucesso com vendas de sêmen e treinamentos sobre inseminação. Quando voltava de BH às sextas-feiras, aplicava prostaglandina nas vacas vazias da fazenda do meu pai, dando o primeiro salto importante na genética.

Aos domingos, quando meu pai não estava na fazenda, as vacas mostravam cio, e eu via o cio nelas! Ensinei o pessoal da fazenda a fazer inseminação. Após 9 meses, as diferenças apareceram! Meu pai achava que eram os touros que ele estava trazendo, comprados de outras propriedades. Então, contei a ele que comprei um botijão e que ele iria me ajudar a pagar. O sêmen eu já havia comprado e pago. E continuamos inseminando.

Fonte: arquivo pessoal da Gis. Dores do Indaiá-MG.

PERGUNTA: E agora, conta um pouquinho da sua história na lida pecuária antes de entrar para a faculdade de Medicina Veterinária?

GIS: Minha mãe dizia que mulher do interior tinha que ser professora. Talvez isso tenha me ajudado, pois gosto muito de ensinar, falar e compartilhar meus conhecimentos. Aos 17 anos, me formei professora. Mas eu sempre dizia ao meu pai, que estava na fazenda: “Eu nasci para ser veterinária, com meu pé sujo de bosta de vaca. Não tinha outro jeito!” Eu não ia ser uma peoa; com as oportunidades que surgiram, graças a Deus, na minha família. Precisava sair do interior e ir para Belo Horizonte estudar.

Meu pai me ajudou em tudo, mas exigiu que eu passasse para uma universidade federal. Foi um desafio a mais. Não passei de primeira, mas entrei na UFMG (Universidade Federal de Minas Gerais) para o segundo semestre. Sou uma ariana nata, do signo de Áries com ascendente em Áries (risos). Passei esses seis meses na fazenda do meu pai, dedicando-me integralmente à lida pecuária e fazendo hortas com meus pais. Às 4:30h da manhã, meu pai piscava a luz e eu já estava de pé para ir para a fazenda, pois morávamos na cidade. Me formei com meu pai em vida, e ele já havia doado a sede para mim, e minha saudosa mãe conduziu todo esse processo.

MARIANA: Eu convivi intensamente com a mãe da Giselle por um período. Ela era muito visionária e inteligente na área imobiliária. Foi ela quem aconselhou o pai da Giselle a dividir as terras e resolver as questões na época.

PERGUNTA: Como que o Tabapuã chegou até a sua fazenda?

GIS: Em 1993, quando me formei, já tínhamos o Tabapuã. Quando alguém começa um criatório, primeiro vem os animais, que depois são registrados com letras escolhidas por você. O primeiro animal Tabapuã na fazenda foi mérito do meu pai. Sou sua sucessora, seguindo seu gosto, que agora virou paixão e amor pelos nossos animais. Durante a faculdade, observei que tudo que meu pai fazia estava dando certo. A característica de caráter mocho estava sendo perpetuada por todas as gerações. Os animais começaram a ter uma coloração de pelagem diferente devido à pressão seletiva no meio, com cada touro sendo melhor que o anterior. Analisando de longe, pensei: “Preciso mudar um pouco esses touros”. Meu pai só pegava os “touros de goiaba”. Então, o convidei para ir comigo até a Água Milagrosa para buscar novos touros.

Quando estava estagiando na fazenda do Dr. Armando Leal do Norte, no sul da Bahia, percebi o potencial da raça Tabapuã, que meu pai já trabalhava. Lá, vi um Tabapuã diferente do que tínhamos. O melhoramento genético, por meio da heterólise, utilizando touros diferentes, foi nosso primeiro passo junto com meu pai. Ele acreditou em mim, mesmo eu estando na faculdade. Fomos à fazenda do Seu Roberto Viana e trouxemos os touros, que eram maiores que o caminhão (risos). Eles trouxeram uma carga genética diferente para o nosso rebanho. Por mais que você goste de uma característica genética, é essencial trazer um pool de gens diferentes para garantir a variabilidade dos genes dentro do rebanho.

PERGUNTA: E como foi a certificação dos animais Tabapuã Gis?

GIS: Eu pensei “precisamos registrar esses animais” porque os caracteres desejados já estavam sendo vistos fenotipicamente. Com a concordância do meu pai, trouxemos um técnico da ABCZ. Para o registro dos nossos animais, precisávamos de três letras. Tudo conspirou para o nome Gis, e assim surgiu o Tabapuã GIS. Fizemos um gado PA (Puro por Avaliação Fenotípica). O PA se transforma em PC (Puro por Cruzamento) e, quando recebe animais PO ou é inseminado, transforma-se em PO, que é onde estamos hoje no rebanho.

Como havia poucos touros PO para cobrir a quantidade de vacas em um ano (1:25), resolvi comprar um botijão de sêmen com a minha mesada. Disse ao meu pai que eu mesma treinaria o pessoal. A persistência, gostar do que faz e ser visionário são muito importantes. Eu via as vacas e pensava: “Essas vacas são grandes, leiteiras e fenotipicamente evoluídas para o Tabapuã. Elas têm que ser nossas matrizes.” Hoje, temos um gado PO vindo de um trabalho de absorção genética, começando com PA, passando por PC e chegando ao PO.

Quando meu pai faleceu, minha mãe ficou muito fragilizada. Decidi deixar a empresa em Belo Horizonte para ajudá-la na fazenda. Fizemos a partilha e cada um ficou com sua parte dos animais e terras. Pedi à minha mãe que tivesse paciência, pois eu ainda seria a dona dos animais, mas queria comprá-los dela no tempo certo. A partir desse momento, a ABCZ passou a fazer mais parte da minha vida. Fui convidada para a diretoria e já estava na ABCT (Associação Brasileira de Criadores de Tabapuã). As pessoas perceberam que tudo o que faço é com seriedade, respeito ao produtor e amor à raça. Novos adeptos, criadores e interessados pela raça foram se aproximando desde então.

Fonte: arquivo pessoal da Gis. Dores do Indaiá-MG

PERGUNTA: Quais são os diferenciais da raça Tabapuã em relação ao Nelore? E como ela se adapta ao clima tropical e aos desafios de parasitoses?

GIS: A raça Tabapuã é tipicamente brasileira, uma raça zebuína, rústica, dócil e com ótima conformação de carcaça. Nós focamos na segmentação da reprodução, que é a genética. Mariana, minha companheira, está se dedicando mais à pecuária de corte e vem me ajudando nos acasalamentos. Aqui na fazenda, temos um banco de genética Gis, e vamos contar como tudo isso surgiu! Essa raça foi formada através de cruzamentos de outras raças zebuínas: Nelore mocho, Guzerá e Gir. O percentual da contribuição de cada uma dessas raças não existe, pois o touro surgiu na região de Tabapuã, interior de São Paulo. A família Ortenbrad, de Tabapuã-SP, tomou a iniciativa dos primeiros registros, onde surgiu o famoso T0, um animal com todas as características do Tabapuã: mocho, carcaça evidente e musculatura exuberante.

Quando meu pai começou a ver que o touro que ele buscou deu resultado, percebi que havia ali uma oportunidade. Isso já vinha ocorrendo desde a década de 80. Com o passar dos anos, meu pai foi ficando mais criterioso na escolha dos touros.

MARIANA: Os touros de antigamente já se pareciam com os que vemos nas imagens de hoje. É muito interessante! Claro que, com o tempo, a raça evoluiu bastante. Os touros atuais são muito mais bonitos e bem caracterizados, mas, se você olhar bem, verá que não são tão diferentes.

PERGUNTA: Existem pontos negativos na criação do Tabapuã? Quais são eles?

GIS: Um animal de um bom criatório precisa de alimentação equilibrada, manejo adequado e condições ambientais favoráveis para expressar todo o seu potencial genético. Sem esses cuidados, o animal NÃO vai emprenhar, ganhar peso rapidamente, ser fértil ou produtivo com facilidade. O comprador deve escolher o melhor touro para a vaca específica que deseja como doadora. Depois, é só implantar o embrião (FIV) na receptora. Assim, a genética é aprimorada com as melhores características da raça.

PERGUNTA: Quais são os pontos essenciais para um manejo de excelência no bem-estar, dieta, exames andrológicos e melhoramento genético dos seus animais?

GIS: Converso com o cliente, faço um diagnóstico da propriedade, das condições dos alimentos para o gado, do clima local e da rusticidade dos animais. Chegou um momento em que pensei na quantidade de animais que já produzi e ajudei a produzir. Decidi aprender a coletar e congelar sêmen. Fui para São Paulo, fiz um curso, aprendi e fiz estágio na UFMG, onde me formei anos atrás. Aprendi a coletar e congelar o sêmen dos touros, que um dia eu tinha vendido para meus clientes na FertGen. Assim, me tornei uma referência na coleta e congelamento de sêmen nas fazendas por todo o Brasil. Hoje, sou médica veterinária, especialista em andrologia, que é a área de avaliação do potencial reprodutivo dos machos bovinos.

PERGUNTA: Você indicaria a raça Tabapuã para quem está começando na pecuária de corte ou quer mudar de raça?

GIS: Tudo precisa ser feito com seriedade e amor, com ótimo manejo e alimentação adequada. Aprendi estratégias na faculdade e as coloquei em prática na nossa fazenda. Embora meu pai inicialmente não permitisse, depois tive a oportunidade e hoje estou aqui, com todos os animais registrados e o gado no PO (pura origem). Os acasalamentos precisam ser direcionados, e os touros devem ter características adequadas à produtividade. Os touros fazem FIV (fecundação in vitro), utilizando as melhores vacas GIS ou compradas para trazer novos genes.

Aproveitamos os oócitos dessas vacas e usamos o sêmen dos melhores touros para a FIV. Isso exige persistência e vontade de melhorar nossos animais constantemente. Pegamos uma doadora adaptada ao nosso manejo e buscamos melhorias. Quando juntamos um touro bom com uma vaca boa, nossa intenção é que o bezerro nasça ainda melhor!

PERGUNTA: Em quanto tempo uma fazenda de ciclo completo pode esperar o retorno do investimento em animais Tabapuã? Vale a pena economicamente? Pode fornecer um exemplo numérico?

GIS: Temos a Tigresa (FIV), que vendemos em 2022 aos 10 meses de idade, fruto da persistência em melhorar nossos animais. Fiz o acasalamento certo da Rougee Gis com o Radiado, da Fazenda Água Milagrosa. O segredo é escolher o sêmen certo para a vaca certa. Tigresa é a Grande Campeã da EXPOZEBU 2023 e a melhor fêmea do ano. Ela emprenhou cedo, resultado do trabalho de amor e dedicação, tanto do criatório GIS quanto do comprador da Tigresa Rougee FIV GIS. É um animal fértil, bonito e capaz.

A mãe e a avó da Tigresa estão aqui, com 8 e 14 anos respectivamente, doando oócitos e prenhas. Isso representa fertilidade, produtividade e continuidade de trabalho. Sempre analiso como melhorar com os touros já disponíveis no mercado. E os embriões vão para as receptoras, que produzem os bezerros.

Participamos do PNAT (Programa Nacional de Avaliação de Touros Jovens) para descobrir novos talentos e bons reprodutores para aprimorar a raça. Os melhores touros são selecionados pelo PMGZ (Programa de Melhoramento Genético do Zebu). Enviamos Rick, Renner, Sorriso (que está numa central coletando sêmen) e Toronto, que participa do Programa Nacional de Melhoramento Genético. Toronto e Sorriso são filhos do Rambo (já falecido), que contribuiu muito para a raça.

PERGUNTA: Gis, deixe uma mensagem para os nossos leitores, especialmente para aqueles interessados na raça Tabapuã e que queiram entrar em contato com a Fazenda Machado para adquirir animais Tabapuã GIS.

GIS: Apaixone-se pelo seu touro, pois você irá conviver com ele durante 5 ou 6 anos. Vai vê-lo de manhã, pela tarde, e acompanhar as suas crias. Apaixone-se pelo que está comprando. Eu não escolho touro para os meus clientes, apenas mostro o que é bom. Dos bons, espero que o cliente se apaixone por um deles. Eu vendo touros e genética. Gosto de vendas, de me relacionar com as pessoas e oferecer o melhor para elas. Gosto de clientes satisfeitos.

Seus animais, de qualquer raça, precisam ser reconhecidos. O registro de um animal PO traz credibilidade ao trabalho do pecuarista. Continuar o registro valoriza o potencial genético de cada animal junto à ABCZ (Associação Brasileira dos Criadores de Zebu). Não temos motivos para não vender nossos melhores animais, pois sabemos como fazer. O foco da nossa fazenda é produzir genética da melhor qualidade possível. Somos um criatório de referência no país todo. Produzimos a genética da Tigresa, temos a mãe dela, o sêmen, e podemos repetir esse acasalamento e outros melhores.

O mais importante é que o trabalho GIS está tendo continuidade, expandindo para outros horizontes e contribuindo com a pecuária brasileira. Temos clientes de Goiás comprando touros. O GIS está indo para o Centro-Oeste!

PERGUNTA: E, para finalizarmos essa entrevista, comente um pouquinho sobre a posição atual da mulher dentro pecuária brasileira.

GIS: Somos aqui na fazenda duas mulheres na pecuária, respeitadas e que se impõem, mostrando que, independentemente do sexo, todos somos capazes. Com competência, dedicação e respeito, conseguimos alcançar os nossos objetivos. É um grande desafio! Eu respiro agropecuária. Fui criada na pecuária, mas não existe pecuária sem o agro, sem lavoura! Somos as meninas da agropecuária, companheiras no trabalho, nas dificuldades, nos desafios e na vida. Somos um casal que se impõe, sempre juntas nas exposições agropecuárias, leilões, festas, cavalgadas, na cozinha, no curral e nos bailes. Não queremos desafiar ou confrontar a sociedade, apenas mostrar que estamos unidas e somos produtoras rurais.

Hoje, o recado é: a pecuária cabe sim à mulher, dentro do que ela é capaz. Precisamos trazer nosso conhecimento e nossa garra. As mulheres têm um potencial que os homens estão nos deixando mostrar mais. Estamos sendo mais acreditadas. Meninas, moças, veterinárias, filhas de fazendeiros, que se o pai der uma oportunidade, vai dar certo. Meu recado é: aquele da família que abraçar a causa, estenda a mão para dar continuidade ao legado e construir junto. Meus pais estão de longe, mas se estivessem aqui, estaríamos juntos, e estamos juntos em alma. Que bom que Deus me dá saúde para continuar tudo que tive oportunidade de fazer. É o que eu tenho para falar.

MARIANA: É um desafio diário ser mulher nesse setor, pois ainda incomoda um pouco. Precisamos mostrar mais, provar mais, ter mais respeito e conduta para sermos respeitadas, especialmente por ser um ambiente mais masculinizado. Vivemos da agropecuária e precisamos da lavoura, plantando também para a silagem. Lidamos com os desafios de forma natural. Não estamos aqui para impor porque somos mulheres, nem para sermos melhores ou piores que os homens. Não estamos aqui para disputar espaço, mas para sermos respeitadas, assim como respeitamos outros criadores, nossos colaboradores e clientes.

Estamos aqui porque gostamos do nosso trabalho. Temos o dinamismo e a sensibilidade da mulher, até nas postagens em nossas redes sociais.

Texto: Colunista – Raquel Azevedo

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