Região Centro-Oeste, 5 de junho de 2026

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Composto do brócolis protege rins de pacientes diabéticos, aponta pesquisa da USP

Composto natural ativa fator antioxidante Nrf2 e reverte lesões renais em modelo experimental de hiperglicemia
Foto: Alexandre Pesquet/Flickr

Pesquisadores brasileiros descobriram que o L-sulforafano, composto natural presente no brócolis, pode proteger os rins contra danos causados pela hiperglicemia, condição típica do diabetes. O estudo, conduzido pela Universidade Federal de Jataí (UFJ) e pela Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto (FMRP) da USP, revela como essa substância ativa um importante mecanismo de defesa celular.

A hiperglicemia representa uma das principais causas de doença renal crônica e falência renal no mundo. Antes que os primeiros sintomas apareçam, o rim já sofre alterações estruturais e perde função progressivamente. Esse processo frequentemente evolui para quadros graves que exigem diálise ou transplante.

Como o excesso de glicose danifica os rins

A professora Rita de Cássia Aleixo Tostes Passaglia, do Departamento de Farmacologia da FMRP e orientadora do estudo, explica que o diabetes mellitus lidera as causas de doença renal crônica no mundo. “A hiperglicemia constitui o sintoma principal do diabetes”, afirma.

A nefropatia diabética, complicação que danifica os rins devido aos níveis elevados e prolongados de açúcar no sangue, começa de forma silenciosa. “Os sintomas só aparecem quando a doença já alcançou estágio avançado. Uma vez que a condição se estabelece, ela progride continuamente e pode levar à necessidade de diálise ou transplante”, alerta a pesquisadora.

A conexão entre rim e sistema cardiovascular agrava ainda mais o quadro. A doença renal diabética frequentemente acompanha hipertensão arterial e doenças cardiovasculares. A hipertensão pode causar disfunção renal, enquanto o rim comprometido também piora o quadro cardiovascular, criando um ciclo vicioso.

Estudos epidemiológicos e clínicos já demonstraram a ligação entre controle glicêmico e prevenção da nefropatia. Há décadas cientistas investigam como a hiperglicemia danifica o rim.

Mecanismos de lesão renal

Entre os mecanismos mais aceitos está a formação de produtos finais de glicação avançada (AGEs), que danificam proteínas e estruturas renais. O sistema renina-angiotensina-aldosterona (SRAA) também se ativa, aumentando a pressão nos glomérulos, redes de capilares sanguíneos dentro dos rins que filtram o sangue para remover resíduos e excesso de água.

O estresse oxidativo representa outro fator crítico. Ele se caracteriza pelo aumento de radicais livres capazes de lesionar células filtrantes do rim. Esse estresse ativa enzimas antioxidantes — proteínas que protegem as células contra danos das espécies reativas de oxigênio — como superóxido dismutase e catalase, que tentam evitar oxidação de proteínas, danos ao DNA e deposição de colágeno que leva à fibrose. Entretanto, em situação de hiperglicemia crônica, essa resposta não basta.

Metodologia do estudo

O professor Rafael Menezes da Costa, do Instituto de Ciências da Saúde da UFJ, conduziu a pesquisa durante pós-doutorado no Departamento de Farmacologia da FMRP sob supervisão da professora Rita. A equipe utilizou ratos Wistar que receberam dieta rica em açúcar durante 12 semanas, modelo que reproduz alterações metabólicas semelhantes às observadas em humanos com diabetes.

Fonte: Agro em Campo

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