Região Centro-Oeste, 5 de junho de 2026

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Chocolate indígena do Pará recebe reconhecimento internacional de sustentabilidade

Organização mundial seleciona marca Sidjä Wahiü como modelo de bioeconomia que une conservação florestal e empreendedorismo feminino
Foto: Divulgação

A empreendedora indígena Katyana Xipaya conquistou reconhecimento internacional com sua marca de chocolates artesanais do Pará. O World Business Council for Sustainable Development (WBCSD) selecionou a Sidjä Wahiü, que significa “Mulher Forte” na língua Xipaya, para integrar sua vitrine global de soluções sustentáveis.

A coalizão mundial reúne empresas e iniciativas que aceleram a transição para um mundo sustentável. O conselho busca soluções para desafios como mudanças climáticas, conservação da natureza e equidade social.

Cacau nativo vira modelo de negócio sustentável

Katyana mora na comunidade ribeirinha de Jericoá 2, em Vitória do Xingu (PA). A líder indígena transformou o cacau nativo amazônico em produto de alto valor agregado desde 2023. O projeto conta com apoio da Norte Energia, concessionária da Usina Hidrelétrica Belo Monte.

“Saber que o Sidjä Wahiü recebeu essa seleção me gratifica muito, porque ele não representa apenas meu trabalho. O chocolate mostra a força do empreendedorismo indígena, nossa cultura e o protagonismo das mulheres. Ocupamos nossos espaços e mostramos que não caminhamos sozinhos. Construímos essa história sementinha por sementinha”, afirma a empreendedora.

Tradição familiar preserva floresta amazônica

A produção dos chocolates mantém técnicas tradicionais que o avô de Katyana já utilizava às margens do Rio Xingu. “O Sidjä Wahiü carrega mais que sabor – ele carrega nossa raiz e a perseverança de manter o modo como meu avô trabalhava. Hoje produzimos chocolate fino com 72% de cacau e frutas como abacaxi e pitaia da nossa própria terra. Geramos renda para parentes ribeirinhos e para a agricultura familiar”, explica.

Três famílias indígenas ribeirinhas da comunidade Jericoá 2 cultivam o cacau e as frutas desidratadas. Após a colheita e processamento inicial, a Cacauway, fábrica localizada em Medicilândia (PA), recebe a matéria-prima. A parceira técnica finaliza e refina os chocolates, garantindo o padrão de qualidade artesanal com acabamento para o mercado de chocolates finos.

Pará lidera produção nacional de cacau

A trajetória de Katyana inspira produtores de cacau no Pará, estado que concentra mais de 50% da produção nacional do fruto. A Embrapa aponta que a indústria cacaueira movimenta cerca de R$ 3,5 bilhões ao ano no Brasil.

Foto: Divulgação

Em 2024, as comunidades indígenas apoiadas pela Norte Energia colheram 23 toneladas de cacau. A safra representa avanço crucial para a autonomia financeira das famílias envolvidas.

Programa empresarial impulsiona bioeconomia regional

O programa Belo Monte Empreende, da Norte Energia, impulsionou o sucesso da Sidjä Wahiü. A iniciativa fomenta atividades produtivas e fortalece aspectos socioambientais nas comunidades do Médio Xingu.

Outras marcas de empreendedores indígenas também receberam apoio da empresa: Yudjá, Karaum Paru, Iawá e Ita’Aka Akauwa. Os negócios consolidam o Médio Xingu como polo produtor de chocolate sustentável.

“O reconhecimento da marca Sidjä Wahiü pelo WBCSD prova que o desenvolvimento sustentável na Amazônia, quando respeita saberes tradicionais, alcança escala e relevância global. Para a Norte Energia, apoiar lideranças como Katyana Xipaya integra nossa estratégia de deixar um legado de autonomia e prosperidade para as comunidades do Médio Xingu”, destaca Thomás Sottili, Gerente de Projetos de Sustentabilidade da Norte Energia.

A companhia investe em capacitação e infraestrutura por meio de projetos socioambientais. As iniciativas ajudam comunidades a alcançarem autonomia financeira enquanto mantêm a floresta preservada. O case demonstra que a união entre conhecimento tradicional e suporte institucional impulsiona o futuro da economia verde no Brasil.

Fonte: Agro em Campo

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