Agentes do Ibama e da Polícia Federal (PF) apreenderam nesta semana mais de uma centena de cactos e cerca de duas mil sementes nativas com quatro turistas da República Tcheca. O flagrante ocorreu no Aeroporto Internacional de Guarulhos, em São Paulo, quando os estrangeiros tentavam embarcar com o material ilegal escondido na bagagem.

A ação contou com a colaboração do ICMBio e de órgãos internacionais, como as autoridades aduaneiras e policiais do Uruguai. Essa parceria entre países signatários da CITES (Convenção sobre o Comércio Internacional de Espécies Ameaçadas) visa justamente coibir o tráfico de fauna e flora silvestres.
Estrangeiros ocultaram material em latas de bebida e nos próprios sapatos
Durante a fiscalização, os agentes encontraram os cactos e as sementes, todos originários do Rio Grande do Sul, escondidos de forma engenhosa. Os turistas ocultaram os itens em latas de bebida, dentro dos sapatos de um dos viajantes e em diversos sacos de papel distribuídos entre as malas.
O transporte irregular de espécies nativas sem a devida licença configura infração ambiental e crime contra o patrimônio natural brasileiro. A família Cactaceae, alvo da apreensão, está integralmente listada nos anexos da CITES, que controlam o comércio internacional para evitar que o interesse econômico leve as espécies à extinção.
Rio Grande do Sul é hotspot global de cactáceas ameaçadas de extinção
O Rio Grande do Sul, de onde vieram as plantas, é um dos centros de biodiversidade de cactos mais importantes do mundo. O estado abriga cerca de 70 espécies, muitas delas endêmicas dos afloramentos rochosos do Pampa gaúcho, um dos principais hotspots de conservação do grupo no Brasil.
Atualmente, 52 espécies que ocorrem no estado estão na lista de ameaçados de extinção. Algumas delas só existem na região pampeana, que abrange áreas do Brasil e do Uruguai, o que torna a cooperação internacional ainda mais estratégica.
Cooperação com Uruguai foi fundamental para interceptar os turistas
A apreensão evidencia a eficácia da troca de informações entre os países membros da CITES. A atuação integrada entre Ibama, PF, ICMBio e as autoridades uruguaias (GRIA e Polícia Nacional do Uruguai) permitiu identificar a tentativa de contrabando ainda no ponto de saída do país.

O material apreendido passará por avaliação técnica, e os turistas responderão administrativa e criminalmente pelos crimes ambientais. A ação conjunta evitou danos irreversíveis ao patrimônio natural brasileiro, retirando de circulação um carregamento ilegal que abasteceria o mercado internacional de plantas raras.
Fonte: Agro em Campo