Na madrugada deste sábado, a escalada militar no Oriente Médio deixou de ser apenas uma crise diplomática para se transformar em um risco econômico concreto. Após ataques aéreos simultâneos contra cidades iranianas, o Irã respondeu com mísseis direcionados a bases americanas no Golfo e em Tel Aviv. O efeito imediato já aparece no mercado internacional: o petróleo entrou em rota de alta diante da ameaça ao Estreito de Ormuz, corredor estratégico por onde circula entre 20% e 30% de todo o petróleo do mundo. Analistas projetam que o barril pode saltar dos atuais US$ 71 para uma faixa entre US$ 120 e US$ 150, com cenários extremos ultrapassando US$ 300 em caso de bloqueio total da rota marítima.
Para o Brasil, que depende majoritariamente do transporte rodoviário para escoar a produção, o impacto é direto e rápido. O diesel mais caro encarece o frete, aumenta o custo de produção nas fazendas e pressiona os preços ao consumidor final. A Petrobras pode se beneficiar da valorização do barril no mercado externo, mas a pressão por reajustes internos da gasolina e do diesel tende a alimentar um novo ciclo inflacionário.
O agronegócio sente dois golpes quase simultâneos. O primeiro é a dependência de fertilizantes importados. O Brasil compra cerca de 80% dos insumos que utiliza no campo, e o Irã é fornecedor relevante de ureia, fundamental para as lavouras de soja e milho. Um bloqueio logístico ou sanções comerciais encarecem os insumos e pressionam o custo das próximas safras. O segundo impacto vem pelo lado das exportações. Em 2025, o Irã foi o segundo maior destino do agronegócio brasileiro em volume, movimentando US$ 2,9 bilhões. O milho respondeu por US$ 1,9 bilhão, quase 68% do total, enquanto a soja representou 19,3%. Um conflito prolongado pode fechar esse mercado abruptamente, sem substituição imediata.
No campo macroeconômico, crises geopolíticas fortalecem o dólar e enfraquecem moedas emergentes como o real. A desvalorização cambial encarece ainda mais as importações, inclusive fertilizantes, e pode forçar o Banco Central a manter juros elevados por mais tempo. Com projeção de crescimento já moderada, o Brasil enfrentaria ainda mais pressão econômica caso o conflito se prolongue.
Existe algum lado positivo? Apenas no médio prazo. Uma eventual ampliação da oferta global de petróleo poderia reduzir preços e favorecer a competitividade do agro brasileiro. Mas, no curto prazo, o cenário é dominado pela incerteza. O impacto imediato já chegou: petróleo em alta e diesel mais caro. O risco estrutural ainda depende da duração do conflito e do futuro do Estreito de Ormuz. No tabuleiro global, o agronegócio brasileiro sabe que cada movimento no Oriente Médio tem reflexo direto na porteira