Região Centro-Oeste, 5 de junho de 2026

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Mulheres lideram a floricultura e ganham espaço no agronegócio brasileiro

Foto: Cooperativa Veiling Holambra

No Dia Internacional da Mulher, a floricultura revela um retrato estratégico do agronegócio brasileiro. Além de movimentar a economia, o setor se consolidou como um dos maiores empregadores de mulheres no campo. Ele conta com presença feminina em toda a cadeia produtiva, da estufa à comercialização. Estudos realizados por Cepea/Esalq-USP e Ibraflor mostram que as mulheres representam mais da metade da mão de obra da floricultura, chegando a índices próximos de 60% em algumas regiões. O que coloca o segmento entre os líderes em participação feminina no agro.

O Dia da Mulher também tem forte peso comercial para o setor de flores e plantas ornamentais. A data responde por cerca de 8% das vendas anuais e com expectativa de crescimento entre 5% e 6% em relação ao ano anterior. Mais do que um pico de consumo, a data evidencia o papel cotidiano das trabalhadoras que plantam, colhem, comercializam, gerem equipes e assumem funções estratégicas em propriedades rurais, cooperativas e empresas ligadas à floricultura.

Segundo o Ibraflor, o setor combina alta demanda por mão de obra com diversidade de funções ao longo da cadeia. O que favorece a inserção e a permanência feminina, tanto na operação diária quanto na gestão dos negócios. “Além de gerar empregos, o setor permite que muitas mulheres conquistem autonomia financeira, fortaleçam a permanência das famílias no campo e assumam papéis estratégicos dentro e fora da porteira”, destaca a produtora de flores e diretora de Mercado do Ibraflor, Raquel Steltenpool.

Lideranças femininas fortalecem cooperativas de flores em São Paulo

Na Cooperativa Veiling Holambra (CVH), em Santo Antônio de Posse (SP), filhas, esposas, produtoras e cooperadas transformam o cooperativismo em flores e plantas ornamentais ao ampliar a participação feminina em espaços de decisão. O movimento ganhou força em dezembro de 2019, quando a cooperativa iniciou as discussões para criar um Comitê de Mulheres, com foco em formação, troca de experiências e construção de lideranças.

Oficializado em março de 2021, o Comitê de Mulheres da Veiling Holambra cresceu de forma consistente. E hoje reúne cerca de 140 cooperadas em encontros periódicos, capacitações, visitas técnicas e participação ativa em eventos nacionais do agro e do cooperativismo. O grupo incentiva o desenvolvimento pessoal e profissional e estimula o protagonismo feminino nas assembleias e nas decisões estratégicas. E também contribui para um processo contínuo de ocupação de espaços pelas mulheres dentro da cooperativa.

Raíssa Swalmen, coordenadora do Comitê de Mulheres. Foto: Arquivo Pessoal

Cooperflora: participação feminina vai da gestão às equipes de campo

Na Cooperflora, a presença feminina também se traduz em números e em decisões. Cerca de 45% dos cooperados são mulheres ou contam com mulheres à frente da gestão dos sítios. O que mostra o avanço da liderança feminina em propriedades especializadas em flores e plantas ornamentais. As produtoras atuam diretamente na administração, na tomada de decisão e na coordenação de equipes, consolidando um protagonismo que vai além da participação formal.

Mariela Grisott, do Sítio Reijers Alegre, Cooperflora
Divulgação. Foto: Arquivo Pessoal

​Na sede da cooperativa, quase metade do quadro de colaboradores é composto por mulheres, muitas delas em cargos estratégicos. Entre os exemplos de liderança estão a cooperada Mariela Grisotto, do Sítio Reijers Alegre, responsável por uma equipe majoritariamente feminina, e a sócia fundadora Dorian Reijers, do Sítio Flores da Terra, que segue ativa e simboliza a base histórica da atuação das mulheres na construção e no desenvolvimento da Cooperflora.

​Empreendedorismo feminino em rosas e turismo rural no Ceará

No Ceará, a produtora de rosas Lucivanda Fernandes Siqueira, de Ubajara, na Serra da Ibiapaba, se tornou referência em inovação ao integrar floricultura, turismo rural e economia criativa. Gestora da Fazenda Santo Expedito, ela conquistou o 1º lugar na categoria “Pequena Propriedade” do 8º Prêmio Mulheres do Agro 2025, destaque que reconhece sua gestão sustentável, o foco em impacto social e o modelo de negócios que alia agricultura, educação e experiência turística.

Lucivanda Fernandes Siqueira, produtora Sitio Santo Expedito, Ceará. Foto: Arquivo Pessoal

​Professora de formação e estudante de Gestão de Pessoas e Agronegócio, Lucivanda aplica conceitos de capacitação e valorização de equipes na rotina da fazenda. E inspira outras empreendedoras a fortalecerem o protagonismo feminino no campo. A propriedade se consolidou como um dos projetos mais inovadores do Nordeste ao integrar produção agrícola de alta tecnologia, responsabilidade ambiental, turismo de experiência e economia sensorial.

​A Fazenda Santo Expedito passou por forte expansão. Hoje conta com 12 hectares de estufas, com projeto de ampliação para 16 hectares, três tanques de armazenamento e sistema de captação de água da chuva com pavimentação intertravada para reaproveitamento hídrico. As pétalas que não seguem para comercialização são desidratadas para experiências sensoriais. Ou incorporadas ao composto orgânico, reforçando um ciclo produtivo mais consciente.

Passeio turístico imersivo

​Em 2019, a produtora lançou um passeio turístico imersivo pela propriedade, com cerca de 50 minutos de duração. O tour apresenta as estufas, as variedades de rosas, as técnicas de cultivo e as práticas sustentáveis. A experiência inclui vivências como a montagem de buquê simbólico e escalda-pés com pétalas reaproveitadas. Portanto, ampliando o valor percebido da flor na região, fortalecendo o turismo rural na Ibiapaba e impulsionando a geração de emprego e renda local.

​A demanda dos visitantes por produtos que prolongassem a experiência na fazenda deu origem à marca Aromas da Fazenda. Ela é especializada em fragrâncias, aromaterapia e cosméticos artesanais. Embora as rosas cultivadas ainda não sejam matéria-prima direta dos cosméticos, a equipe estuda formas de ampliar o uso sustentável de espécies como a lavanda, que também contribui para a polinização da pitaya.

​O restaurante da fazenda, inaugurado há cerca de três anos, valoriza ingredientes regionais e utiliza frutas locais na produção de geleias e licores. Portanto, agregando gastronomia ao roteiro de visitação. Hoje, a operação reúne aproximadamente 170 colaboradores na propriedade e 8 na unidade urbana, além de duas lojas físicas (uma na fazenda e outra no município de Ubajara) o que reforça o impacto da gestão feminina sobre a economia local.

​Inovação genética e liderança feminina na produção de plantas tropicais

Em Rondônia, a trajetória de Tereza Alves Cordeiro de Campos, fundadora da Estância Vitória, mostra como o empreendedorismo feminino impulsiona inovação e desenvolvimento regional na floricultura tropical. Nascida no interior do Paraná, ela construiu uma trajetória marcada por trabalho e coragem. Até criar, há mais de duas décadas, um projeto próprio de produção de plantas ornamentais com identidade brasileira e variedades diferenciadas.

Tereza, produtora caladium Estancia Vitória. Foto: Arquivo Pessoal

Localizada na zona rural de Urupá (RO), a cerca de 400 quilômetros da capital, a Estância Vitória se consolidou como referência na produção e desenvolvimento de plantas ornamentais tropicais no país. Mesmo sem formação acadêmica na área, Tereza definiu como objetivo criar plantas únicas, adaptadas ao clima e ao mercado nacional, com foco em qualidade, inovação e estética.

​O pequeno projeto familiar se transformou em uma estrutura consolidada. Com cerca de 40 mil metros quadrados de estufas dedicadas à produção de Caladium, Aglaonema, Syngonium, Euphorbia e Dracena, entre outras espécies. A estância também mantém um trabalho autoral de melhoramento genético. Ele é realizado por meio de polinização manual, sem uso de laboratórios externos, baseado na observação prática, na experiência acumulada e na seleção rigorosa de plantas matrizes.

Novas variedades

​Ao longo dos anos, inúmeras novas variedades foram desenvolvidas. E após um processo de seleção e testes em cultivo, parte delas entra em produção comercial com novas combinações de cores, maior vigor, rusticidade, melhor adaptação e resistência natural a pragas e doenças. O melhoramento mais recente é um Caladium da variedade Lança. Ela é mais resistente ao frio, de porte compacto e indicado para vasos, que já está em produção e terá lançamento oficial em setembro.

A Estância Vitória fornece mudas do seu portfólio para produtores de diferentes regiões do país. E comercializa produtos finais diretamente ao mercado, por meio de ponto de venda no Ceaflor, em Jaguariúna (SP). Dessa forma, o trabalho autoral de Tereza conecta a inovação desenvolvida em Rondônia às principais regiões consumidoras de plantas ornamentais do Brasil. Reforçando a presença feminina em toda a cadeia da floricultura.

Fonte: Agro em Campo

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