Região Centro-Oeste, 5 de junho de 2026

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Touro Bipolar morre aos 18 anos e deixa legado histórico no rodeio nacional

Animal acumulou mais de 80 fivelas, foi eleito Melhor Touro do Ano três vezes e se tornou o primeiro brasileiro no top 3 mundial
Reprodução Redes Sociais

O rodeio brasileiro perdeu nesta semana um dos maiores nomes de sua história. O touro Bipolar, da Cia. Paulo Emílio, morreu de causas naturais aos 18 anos na Fazenda Santa Martha, em Icém, interior de São Paulo. A partida deixa um vazio nas arenas e uma marca permanente na história do esporte.

Ao longo de seis anos competindo no topo absoluto, Bipolar dominou as arenas com performances de alto nível ininterruptas, uma longevidade raramente vista no esporte. O próprio dono, o empresário Paulo Emílio Marques, traçou a comparação: “Geralmente, os touros competem de três a quatro anos, mas ele é diferente. Manteve o alto nível desde o início da carreira e continuou assim durante seis anos.”

O nome não surgiu por acaso. Dócil no dia a dia, mas extremamente explosivo durante as competições, essa característica inspirou o apelido. Mais Fora da arena, o animal exigia cuidados específicos: Paulo Emílio conta que Bipolar não podia ficar isolado, mas também não podia dividir espaços pequenos com outros touros para evitar acidentes.

Sua conformação física potente, aliada a uma capacidade fora do comum de manter intensidade durante toda a apresentação, fazia com que cada montaria fosse um verdadeiro teste para os peões. O comentarista Kaká, com 38 anos de rodeio, sintetizou bem: “Ele sabe usar a frente como nenhum touro que eu já vi na minha vida inteira.”

Recordes e conquistas

Bipolar acumulou 13 fivelas de melhor touro pela PBR (Professional Bull Riders) e mais de 80 em campeonatos ao longo da carreira. Recebeu o título de Melhor Touro do Ano em 2012, 2016 e 2017.

Em 2013, durante um rodeio em Londrina (PR), atingiu a nota de 94,38 pontos, a maior já registrada na história da PBR Brasil. O feito o catapultou ao cenário internacional: seu desempenho excepcional o colocou entre os três melhores touros do mundo segundo o ranking do Probullstats, tornando-o o primeiro touro brasileiro a alcançar tal posição. O órgão cataloga as notas de 500 touros participantes das maiores competições do planeta. E Bipolar chegou a figurar atrás apenas dos norte-americanos SweetPro’s Bruiser e Old Fort Days.

Paulo Emílio resume a grandeza do animal em poucas palavras: “Não era um boi de fazer desafio, era um boi de chegar na final, pular melhor que todos os touros e ganhar a fivela.”

A despedida nas arenas

A aposentadoria, em 2018, não poderia ter sido mais digna. Na final da 63ª Festa do Peão de Barretos, o maior rodeio da América Latina, Bipolar desbancou o favorito Danilo Torres Sobrinho em apenas quatro segundos, recebeu ovação do público e conquistou a fivela de melhor touro do evento.

O proprietário não esconde a admiração: “De todos os touros que tive e já vi, não só da Cia. Paulo Emílio, mas de todos do rodeio, o Bipolar foi o mais completo no mundo que vi pular. Pular por sete anos, no mesmo nível. Ele entrou já como boi de final no primeiro ano, e no sétimo saiu como o melhor touro do ano em Barretos.”

Legado genético

Depois das arenas, Bipolar abriu um novo capítulo igualmente relevante. Na Fazenda Santa Martha, tornou-se reprodutor e passou a ser considerado o touro que mais produziu genética comprovada no Brasil, com descendentes que hoje brilham em competições por todo o país. Herdando sua explosão na saída do brete, regularidade de desempenho e alto nível de dificuldade para os competidores.

“Bipolar produziu muitos filhos. Inclusive, criadores que tinham sêmen dele produziram touros de pulo”, contou Paulo Emílio. A linhagem segue nos bretes de norte a sul do país.

A Cia. Paulo Emílio se despediu com uma nota: “Mais do que um campeão, o Bipolar foi um verdadeiro fenômeno, responsável por elevar o padrão das arenas e marcar definitivamente a história do rodeio brasileiro.”

Fonte: Agro em Campo

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