Região Centro-Oeste, 5 de junho de 2026

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Mais de 30% das cidades gaúchas relatam falta crítica de óleo diesel

Famurs e Farsul alertam para o risco de paralisia na colheita de soja e arroz em 170 municípios gaúchos, com relatos de preços abusivos e desabastecimento crítico em polos como Santa Maria e Cachoeira do Sul
Foto: Divulgação

Os agricultores do Rio Grande do Sul continuam com as máquinas paradas nas lavouras de arroz e soja devido à crise do óleo diesel no Estado. Neste domingo (28), 170 cidades relataram escassez de combustível nos postos ou preços abusivos, em torno de R$ 9 por litro, pricipalmente na região central, onde estão cidades como Santa Maria.

Farsul (Federação da Agricultura do Estado do Rio Grande do Sul) emitiu uma nota oficial manifestando profunda preocupação com a paralisação da colheita. Segundo a federação, a interrupção no fornecimento por parte das refinarias, muitas vezes sem aviso prévio, deixa o produtor vulnerável a perdas climáticas irreparáveis. “Estamos com o nosso Departamento Jurídico acionado e em contato direto com o Ministério de Minas e Energia. Não podemos permitir que o suor do produtor fique parado no campo por falhas na distribuição de combustível”, afirmou o presidente da Farsul, Domingos Velho Lopes.

Famurs (Federação das Associações de Municípios do Rio Grande do Sul) contabilizou mais de 170 cidades com problemas graves. As prefeituras do interior estão sendo obrigadas a decretar racionamento, priorizando serviços de saúde e segurança, enquanto obras de manutenção de estradas vicinais — vitais para o escoamento da safra — foram suspensas.

Problemas na lavoura

Além da dificuldade de encontrar o produto, o custo se tornou um obstáculo à parte. Economistas do setor apontam que o preço médio do diesel S-10 no estado gira em torno de R$ 6,40, mas a realidade no campo é mais dura e os produtores chegaram a pagar R$ 9 pelo litro do combustível. 

A Farsul diz que há muita especulação e isso drena a rentabilidade do produtor e encarece ainda mais o frete, gerando um efeito cascata que deve chegar ao consumidor final em breve. “Nesse momento de colheita, a dependência do diesel é total, tanto para as colheitadeiras quanto para os caminhões que levam o grão até os portos e armazéns”, diz Lopes.

O maior problema para os produtores de soja é o risco de exposição das lavouras ao clima, com chuvas intensas e calor muito forte na região. Isso faz com que os grãos percam qualidade e precisem ser comercializados com preços muito baixos ou até descartados. Para os agricultores que estão colhendo arroz, o problema afeta diretamente a logística de transporte, das fazendas para as indústrias de beneficiamento, aumentando o custo e o preço final do alimento para os consumidores. 

Na última sexta-feira (26), a Emater/RS divulgou que 10% da área plantada com soja no estado, em torno de 6.624.988 hectares, foi colhida. Já a colheita de milho está estimada em 73% da área e a de arroz, em 35%.

Fonte: Agroband

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