Região Centro-Oeste, 5 de junho de 2026

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Sem cafeína? Café ancestral pode valer até R$ 20 mil a saca

Produção limitada e sabor único colocam grão raro entre os mais valorizados do mundo
Foto: Wenderson Araújo/Trilux/Sisterma CNA/Senar

Um produtor brasileiro tem chamado a atenção do mercado global ao apostar em um tipo raro de café que pode alcançar até R$ 20 mil por saca. Cultivado em Minas Gerais, o grão pertence à espécie eugenioides, considerada ancestral do café arábica e ainda pouco explorada comercialmente.

Nesse cenário, a estratégia mira um nicho específico. Enquanto o mercado tradicional enfrenta oscilações e queda de preços em relação aos anos anteriores, os cafés especiais seguem em valorização. Assim, produtores encontram novas oportunidades ao focar em qualidade e exclusividade.

Produção limitada eleva preços no mercado

O responsável pela produção é o cafeicultor Luiz Paulo Dias Pereira Filho, representante da quarta geração de uma família ligada ao setor. Atualmente, ele cultiva o eugenioides em Minas Gerais e projeta vender sua safra por cerca de R$ 1 milhão a cada 10 sacas.

“É um café extremamente doce”, disse Pereira Filho sobre a espécie rara. “Ele não tem amargor porque seu nível de cafeína é praticamente considerado descafeínado”.

Na prática, o valor pode chegar a ser até 50 vezes superior ao do café arábica convencional. Isso ocorre porque a produção é extremamente limitada e exige cuidados intensivos. Além disso, a planta apresenta baixa produtividade, o que reduz a oferta e, consequentemente, eleva os preços.

Perfil sensorial diferencia o café ancestral

Além da raridade, o café ancestral se destaca pelo perfil sensorial incomum. Segundo o produtor, o grão apresenta sabor extremamente doce, praticamente sem amargor e com níveis de cafeína muito baixos.

Por isso, o produto chama a atenção de consumidores exigentes. Ao mesmo tempo, essas características tornam o café altamente valorizado no mercado internacional, especialmente entre aqueles que buscam experiências diferenciadas.

Mercado de luxo segue em expansão

Enquanto o café tradicional enfrenta momentos de instabilidade, o segmento premium segue em expansão. Isso acontece porque consumidores, cada vez mais, procuram produtos exclusivos e de alta qualidade.

Nesse contexto, países como Taiwan e Arábia Saudita lideram a demanda por cafés raros. Além disso, especialistas comparam o momento do eugenioides ao início da valorização do café gesha, hoje um dos mais sofisticados do mundo. Dessa forma, o café deixa de ser apenas uma commodity e passa a ocupar espaço no mercado de luxo.

Baixa produtividade é desafio e diferencial

Apesar do alto valor, o cultivo do eugenioides ainda enfrenta desafios importantes. Por um lado, a planta é sensível ao clima e não passou por melhoramento genético. Por outro, essa mesma limitação garante sua exclusividade.

Atualmente, a expectativa de produção é de cerca de duas sacas por hectare, volume muito inferior ao do café tradicional. Ainda assim, justamente por ser raro, o produto mantém preços elevados.

Brasil busca espaço no mercado premium

Diante desse cenário, a cafeicultura brasileira começa a mudar de estratégia. Em vez de competir apenas em volume, produtores passam a investir em diferenciação e valor agregado.

Com isso, o Brasil amplia sua atuação no mercado global. Além de maior produtor mundial, o país também busca se consolidar como referência em cafés especiais e de luxo.

Fonte: Agro em Campo

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