O Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) determinou a suspensão imediata do uso da vacina Excell 10, dos lotes 016/2024 e 018/2024, após mais de 100 mortes repentinas de bovinos, caprinos e ovinos nos municípios de Simões e Curral Novo do Piauí, além de registros em outras cidades do estado e em outros estados do Nordeste, como Sergipe, Rio Grande do Norte e Maranhão. A medida vale também para os casos em que o imunizante já havia sido adquirido antes da suspensão.

A Dechra Brasil fabrica a vacina para prevenir a clostridiose, um conjunto de doenças provocadas por bactérias do gênero Clostridium, comuns no ambiente e no trato intestinal dos animais, que podem causar morte súbita nos rebanhos. Os sintomas relatados pelos produtores incluem edema no local da aplicação, febre transitória e apatia. E os casos de morte começaram a ser notificados cerca de dez dias após a vacinação.
O caso está sendo investigado em conjunto pelo Ministério da Agricultura, a Agência de Defesa Agropecuária do Piauí (Adapi) e a Universidade Federal do Piauí (UFPI). Também com apoio da Universidade Estadual do Ceará (UECE) e de laboratórios em São Paulo. As equipes coletaram amostras dos animais mortos para analisar se a vacina está diretamente relacionada às mortes e verificar possíveis falhas no processo de fabricação, armazenagem ou aplicação do produto. Os responsáveis pelas investigações devem divulgar os resultados em até 30 dias.
A Dechra Brasil divulgou nota informando que está colaborando com as investigações e, de forma preventiva, suspendeu a distribuição dos lotes identificados. A empresa reafirmou seu compromisso com a qualidade, eficácia e segurança dos seus produtos, garantindo que as análises detalhadas continuarão até a conclusão do caso.
Além do Piauí, foram confirmados relatos de mortes de animais imunizados com os mesmos lotes da vacina em outros estados nordestinos. Incluindo Sergipe, Rio Grande do Norte, Maranhão e Ceará, totalizando mais de 500 animais mortos, segundo informações recentes. A maioria dos produtores afetados são agricultores familiares que dependem economicamente dos rebanhos, o que agrava o impacto socioeconômico da situação.
O Ministério da Agricultura orienta os produtores e revendedores a interromperem o uso e comercialização das vacinas dos lotes 016/2024 e 018/2024. E também comunicarem quaisquer novos casos suspeitos pelo canal FalaBR. Até o momento, não foram registrados problemas em outros lotes da vacina.
Fonte: Agro em Campo