Região Centro-Oeste, 5 de junho de 2026

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Você vende peso ou valor? Descubra o impacto do modelo de produção na rentabilidade da pecuária de corte

Olá, amigo pecuarista. Tudo bem? Já estamos no mês de setembro e gostaríamos de saber se você já iniciou a programação da próxima estação de monta na sua fazenda. Concentrar o manejo reprodutivo para épocas definidas do ano é uma maneira eficiente de reduzir desperdícios e gastos fragmentados, além de facilitar o trabalho da sua equipe e maximizar o desempenho das vacas, garantindo um ótimo ganho de peso para as futuras crias!

Em nosso artigo de hoje, vamos aprender os primeiros passos na elaboração de uma estratégia prática, para você parar de deixar dinheiro no pasto e ainda potencializar a genética do seu rebanho, sem ter de investir rios de dinheiro para isso. Então, se você cansou de programas miraculosos, vem com a gente no Conceito Boi 777.

É bem certo que a genética sozinha não faz milagre, pois o ambiente interage com o potencial genético de um animal, influenciando o seu fenótipo final (características observáveis). E cuidar do meio, onde os bovinos permanecem, inclui uma tríade importantíssima: nutrição x sanidade x bem-estar. Lembrando que uma nutrição de ótima qualidade modula positivamente o sistema reprodutivo das fêmeas.

Já na atividade de cria, as matrizes devem produzir um bezerro por ano para dar produtividade à fazenda, ou seja, é o famoso ditado “vaca boa tem sempre um bezerro ao pé e outro na barriga”. Nunca tente adiantar uma próxima concepção para antes dos 30 dias após o parto, já que esse intervalo de 1 mês é o tempo necessário para que os órgãos reprodutivos da vaca se restabeleçam completamente! Também é preciso que você se preocupe com uma série de processos para que se alcance essa difícil meta de uma gestação ao ano. Vamos a eles?

  • Processo de involução uterina (retorno da musculatura uterina ao tamanho normal);
  • Retorno à ciclicidade (ciclo reprodutivo);
  • Detecção de estro (cio das vacas e novilhas) por rufiões ou sinais comportamentais;
  • Inseminação no momento certo por um inseminador capacitado;
  • Diagnóstico de gestação entre 30 a 45 dias após a cobertura ou IA;
  • Sêmen de qualidade ou touro com fertilidade comprovada;
  • A fêmea não deve demorar muito tempo para emprenhar, sob o risco de não permanecer na fazenda para a próxima estação.

E agora? Ficou preocupado com o rebanho e não sabe por onde começar? Calma! Nós estamos aqui para ajudá-lo nas decisões mais assertivas para a sua fazenda, visando sempre a tríade:

Sabemos que um manejo nutricional ótimo, e com dietas bem equilibradas, é essencial para a vida reprodutiva saudável tanto das novilhas quanto das vacas primíparas e multíparas. E inclusive as novilhas de reposição com as melhores características genéticas, quando bem alimentadas com dietas balanceadas, podem iniciar a vida reprodutiva antes dos 24 meses de idade, aumentando consideravelmente a lucratividade nos sistemas de produção. Muitos pecuaristas vêm aderindo a essa estratégia de nutrição diferenciada na pecuária bovina. Há diversos estudos científicos que mostram a necessidade do peso mínimo de 280 kg para que as novilhas tenham maior chance de prenhez na 1° estação de monta, antecipando o retorno econômico e reduzindo o intervalo entre gerações.

Com relação às vacas, elas precisam estar muito bem nutridas (é diferente de gordas!) para que depois do pós-parto, período em que o ECC (escore de condição corporal) diminui naturalmente, as matrizes tenham maior chance de retornar ao ciclo estral com eficiência, aumentando a probabilidade de uma prenhez bem-sucedida ainda dentro da mesma estação de monta!

Ter muitos bezerros todos os anos em uma fazenda de cria é uma verdadeira bênção! Matrizes que geram um bezerro por ano são o sonho de qualquer pecuarista na bovinocultura. Mas, e você já parou para pensar que esses bezerros precisam ser produtivos? Para isso, é essencial prepararmos uma estratégia de calendário de monta na qual:

  1. Permita-se a reprodução programada das matrizes, com a finalidade de estabelecer o melhor momento para a dupla “vaca-bezerro”;
  2. Favoreça-se o nascimento dos bezerros no período seco para evitar os desafios sanitários das águas (verminoses e protozooses);
  3. A estação de monta tenha seu início coincidindo com o início do período chuvoso (maior oferta de forrageiras);
  4. Os bezerros fiquem sujeitos a menos parasitoses, pois o desafio sanitário será menor (reduzindo gastos com veterinários e medicamentos);
  5. As vacas com sinais de estro e prenhas tenham maior garantia de oferta e produção de forrageiras de boa qualidade para se alimentarem;
  6. A utilização da estação de monta otimize e concentre o trabalho da mão-de-obra, facilite o manejo, melhore a logística, padronize a produção de bezerros e forme lotes mais homogêneos para recria ou venda.

Seja cauteloso na escolha dos touros, pois o material genético a ser utilizado representa um grande impacto no sistema de produção da sua fazenda. É uma decisão estratégica que molda todo o futuro do rebanho. Então, nunca ignore esses quatro pequenos e indispensáveis passos na hora da escolha dos touros. Sempre haja com muita sabedoria e inteligência genética.

  • Avaliação genética: revela o potencial do touro para ganho de peso, fertilidade, habilidade materna e eficiência alimentar.
  • Avaliação genômica: permite identificar genes ligados a desempenho, resistência a doenças e adaptação ao ambiente.
  • Exame andrológico do touro: inclui análise de sêmen, inspeção dos órgãos genitais e verificação da libido.
  • Fenótipo dos touros: observa a conformação física, temperamento, aprumo, estrutura corporal e adaptabilidade ao sistema de produção.

Cuidado com as estratégias e DEPs (Diferença Esperada na Progênie) que você utilizará, pois, cada raça bovina terá características fenotípicas (peso, altura, tipo de pelagem, tamanho de barbelas, temperamento e outras) que melhor se adaptam a um determinado tipo de região, manejo e sistema de produção. Logo, não existe uma “receita pronta”, sendo aconselhável o acompanhamento de especialistas em bovinos para decidir qual perfil de animais é o mais adequado para a realidade de cada propriedade rural. Por exemplo, nos sistemas extensivos a pasto, o pecuarista costuma buscar por animais menos exigentes nutricionalmente e que apresentam menor velocidade de crescimento, boa resistência a parasitas e aceitável eficiência alimentar.

RELAÇÃO TOURO X VACA

Para que você alcance uma boa taxa de prenhez na estação de monta é necessário considerar uma relação touro:vaca de 1:30, ou seja, 1 touro para cada 30 vacas em sistemas de produção que trabalham com a monta natural tradicional. No caso de touros em 1° estação de monta, utilize a relação de 1:20, em lotes separados de matrizes multíparas e mais velhas para reduzir o estresse do touro jovem. Para touros de repasse, é recomendado a relação de 1:20 nos primeiros dias pós IA (inseminação artificial) e, após esse período, pode-se dar seguimento a relação de 1:30.

Para ter resultado no campo e bom retorno financeiro, leve os seguintes critérios em conta na hora da escolha do sêmen para a IATF:

  1. Bom histórico de resultado de FERTILIDADE COMPROVADA
  2. Geração de crias com bom peso ao desmame (DEPs para peso ao desmame)
  3. Bom ganho de peso na recria (DEPs positivos para ganho médio diário)
  4. Alta produção de @ na terminação (DEPs elevados para peso final e rendimento de carcaça)

A escolha dos meses do ano para o nascimento dos bezerros é importantíssima dentro do seu negócio, pois dentro do útero da vaca o bezerro passa por um processo chamado de programação fetal. Sendo assim, em nosso território brasileiro, especificamente no centro-oeste e sudeste do país, temos uma vasta oferta de forragem entre os meses de novembro a maio (período das águas); logo, se as vacas emprenharem no mês de novembro, haverá uma boa oferta de forrageiras (nutricional e em quantidade) durante os 6 primeiros meses da gestação. Isso proporcionará uma alimentação altamente nutritiva e balanceada para a vaca durante 2/3 do desenvolvimento fetal, contribuindo para o crescimento saudável da cria e maior potencial de ganho de peso pós-nascimento, já que as fibras musculares se formam (miogênese) com mais intensidade no 2° terço da gestação.

Ou seja, vacas que emprenham no período seco correm um risco maior de restrição alimentar durante o 2° terço da gravidez, algo que só poderá ser compensado com suplementação de sal proteinado ou proteinado energético, mas daí os custos se tornam bem mais elevados para a maioria dos pecuaristas brasileiros. E você, hoje, tem a opção de começar a correção de um problema que poderia ser evitado com planejamento reprodutivo alinhado ao ciclo das águas.

📌 Emprenhar na seca = risco nutricional + custo elevado

📌 Emprenhar nas águas = nutrição natural + desenvolvimento fetal otimizado

O sucesso da sua fazenda dependerá do seu interesse em produzir mais, com menos desperdícios para o seu próprio bolso, buscando sempre mais eficiência na atividade e melhor retorno financeiro previsto de forma segura. Além de investir no que realmente transforma o sistema — genética, nutrição estratégica e calendário reprodutivo bem definidos.  Até breve!

Por: Raquel Azevedo. Bióloga no mundo do agro. CRBio: 126402/02-D

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