O peixe é um alimento versátil, acessível e de qualidade, reconhecido mundialmente pelos inúmeros benefícios à saúde. Além de contribuir para uma dieta equilibrada em todas as fases da vida, estudos recentes têm destacado ainda mais seu impacto positivo na saúde da mulher, com reflexos no sono, na gestação e até na prevenção de doenças degenerativas.
O consumo de peixes no Brasil, no entanto, ainda está aquém do recomendado. Segundo a Associação Brasileira da Piscicultura (Peixe BR), durante a Semana Santa a procura cresce até 30%, mas fora desse período os números são tímidos: o brasileiro consome em média apenas 4 kg/hab/ano de peixes de cultivo (como tilápia e tambaqui) e 10 kg/hab/ano considerando todo o pescado – cerca da metade do consumo mundial, que gira em torno de 20 kg/hab/ano, conforme a FAO (Organização das Nações Unidas para a Alimentação e Agricultura).
“Em um cenário ideal, o peixe deveria estar presente ao menos três vezes por semana no prato dos brasileiros. É uma proteína saborosa, de preparo fácil e que pode transformar a qualidade de vida da população”, destaca Francisco Medeiros, presidente da Peixe BR.
Entre os principais pontos positivos, ele lista:
- Riqueza em vitamina D: fundamental para ossos e imunidade, sendo os “peixes gordos” os maiores aliados;
- Ômega 3 em alta: reduz riscos de infarto e AVC, auxilia gestantes no desenvolvimento dos bebês e aumenta a eficácia de antidepressivos;
- Proteção infantil: estudos indicam redução de até 24% no risco de asma em crianças;
- Prevenção de doenças degenerativas: consumo regular está ligado à menor incidência de Alzheimer e degeneração macular;
- Saúde da mulher: além de melhorar a qualidade do sono, o consumo ajuda a equilibrar hormônios e auxilia na fertilidade.
“Os benefícios do consumo de peixes são cientificamente comprovados para todas as idades. É um alimento democrático: vai bem desde a papinha do bebê até o prato gourmet em restaurantes”, explica Santos.
Brasil tem produção, mas falta hábito
O Brasil ocupa posição de destaque no cenário mundial. É o 4º maior produtor global de tilápia e o maior de tambaqui, espécies que se consolidaram como pilares da piscicultura nacional. Apenas em 2024, a produção brasileira de peixes de cultivo ultrapassou 900 mil toneladas, segundo dados da Peixe BR.
Apesar do potencial, o consumo interno não acompanha esse crescimento. A carne bovina, por exemplo, ainda é predominante na mesa do brasileiro: o consumo chega a 26 kg/hab/ano, quase três vezes mais que o pescado. “Falta cultura e falta informação. Nosso desafio é mostrar que peixe não é alimento só de datas religiosas, mas um aliado para o dia a dia”, ressalta Medeiros.
Campanha nacional “Coma Mais Peixe”
Para mudar esse cenário, a Peixe BR lançou a campanha “Coma Mais Peixe”, apoiada por empresas do setor. A iniciativa inclui parcerias com chefs renomados, ações digitais, divulgação de receitas práticas e educativas, além de incentivo a influenciadores gastronômicos e nutricionistas.
O objetivo é claro: quebrar barreiras culturais, destacar os aspectos nutricionais diferenciados e reforçar a segurança alimentar do peixe de cultivo, produzido com boas práticas e certificações de qualidade.
“Queremos que o brasileiro descubra que é possível comer peixe em diferentes formatos – de nuggets a ceviche, de pastel a hambúrguer gourmet. A piscicultura nacional pode oferecer muito mais do que já oferece. É uma questão de saúde pública e de valorização de uma proteína de alto valor”, conclui Medeiros.
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Fonte: Compre Rural