Região Centro-Oeste, 5 de junho de 2026

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Pesquisa testa óleos naturais na alimentação de tilápias

Estudo do Instituto de Pesca, em São Paulo, analisa o uso de óleos essenciais de orégano e canela na ração de tilápias-do-Nilo, investigando seus efeitos sobre o crescimento, o metabolismo e a saúde dos peixes.

O Instituto de Pesca (IP-Apta), vinculado à Secretaria de Agricultura e Abastecimento do Estado de São Paulo, conduz uma pesquisa que busca soluções naturais para aprimorar a alimentação e a saúde de tilápias-do-Nilo (Oreochromis niloticus), espécie amplamente cultivada no país. O trabalho, liderado pelo mestrando Antonio Kida, avalia os efeitos de aditivos alimentares contendo óleos essenciais de orégano (Origanum vulgare) e canela (Cinnamomum zeylanicum), com o objetivo de compreender como esses compostos interferem no crescimento e no metabolismo dos peixes.

O experimento ocorre no Laboratório de Fisiologia e Crescimento de Organismos Aquáticos do Instituto, em São Paulo. Foram elaboradas quatro formulações de ração, processadas para facilitar a digestão, cada uma contendo combinações distintas dos óleos essenciais. O estudo considera não apenas a eficiência nutricional das dietas, mas também a segurança metabólica e a resposta fisiológica dos animais.

Os peixes foram distribuídos em tanques com sistema de recirculação de água, o que permitiu o controle da qualidade do ambiente e o monitoramento contínuo das condições ideais de cultivo. Durante três meses, receberam ração balanceada três vezes ao dia. Nesse período, os pesquisadores avaliaram parâmetros como crescimento, ganho de peso, taxa de alimentação e sobrevivência. A cada 30 dias, amostras de peixes foram medidas em comprimento, altura e largura, e a cada 15 dias a quantidade de ração foi ajustada conforme a biomassa total, garantindo alimentação proporcional e uniforme.

Os parâmetros físico-químicos da água, incluindo temperatura, oxigênio dissolvido, pH e níveis de amônia, também foram monitorados para assegurar um ambiente estável. Amostras de fígado, sangue e intestino foram coletadas para examinar o impacto dos óleos sobre o metabolismo e a integridade fisiológica dos peixes. Segundo os pesquisadores, o fígado foi analisado para identificar proteínas e antioxidantes, enquanto sangue e intestino serviram para estudos bioquímicos e estruturais. Esses dados passam por análises estatísticas que indicarão diferenças significativas entre os tratamentos e apontarão quais combinações se mostram mais eficientes.

Para Antonio Kida, a vivência prática no Instituto de Pesca tem sido determinante na formação profissional. “Pude vivenciar desde o conhecimento teórico até o prático, por meio das disciplinas, palestras e congressos. Além disso, a equipe multidisciplinar do Instituto é de extrema importância, pois temos contato direto com biólogos, veterinários, agrônomos, químicos e zootecnistas. Dessa forma, conseguimos complementar uns aos outros dentro de nossas áreas de conhecimento”, afirmou o mestrando.

O orientador do estudo e coordenador do Programa de Pós-Graduação do Instituto de Pesca, Vander Bruno dos Santos, destacou a importância do envolvimento dos alunos em todas as etapas de um projeto científico. “O aluno tem a oportunidade de participar de todas as fases, desde a concepção até a publicação dos resultados, realizando os cultivos e acompanhando os organismos de forma prática. Isso é essencial para o desenvolvimento do profissional que irá atuar no campo de trabalho”, explicou o pesquisador.

O estudo busca contribuir com alternativas sustentáveis para a piscicultura, reduzindo o uso de aditivos sintéticos e antibióticos na criação de peixes. Os resultados devem indicar como os óleos essenciais podem atuar como promotores naturais de crescimento e agentes de defesa metabólica, favorecendo a saúde intestinal e o equilíbrio fisiológico dos animais.

O Instituto de Pesca, responsável por essa e outras pesquisas voltadas ao desenvolvimento sustentável da aquicultura, integra a estrutura da Agência Paulista de Tecnologia dos Agronegócios (Apta). Sua missão é promover soluções científicas e tecnológicas que estimulem a inovação e o crescimento da cadeia produtiva da pesca e da aquicultura no país.

Mestrando do Instituto de Pesca (IP-Apta), da Secretaria de Agricultura e Abastecimento do Estado de São Paulo, Antonio Kida está desenvolvendo uma pesquisa que avalia os efeitos de diferentes aditivos alimentares contendo óleos essenciais de orégano (Origanum vulgare) e canela (Cinnamomum zeylanicum) na nutrição de tilápias-do-Nilo.

Fonte: Agro&Prosa

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