Região Centro-Oeste, 5 de junho de 2026

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Mercado de drones agrícolas cresce e exige operadores qualificados

O rápido avanço dos drones agrícolas no país ampliou a demanda por operadores preparados. Em entrevista, Tamara Maciel, coordenadora da Agroacademy, explica como capacitação, legislação e boas práticas definem a eficiência das aplicações nas lavouras.

O uso de drones agrícolas se expandiu de forma acelerada no Brasil. Em 2021, havia cerca de 3 mil equipamentos registrados. Em 2025, a estimativa já alcança 35 mil unidades em operação. O crescimento está ligado às vantagens da pulverização aérea com drones e à chegada de modelos mais robustos, como o T-100, que ampliam a capacidade de aplicação em grandes áreas. “Os produtores e prestadores de serviço aguardavam modelos com maior autonomia, especialmente em regiões como o Mato Grosso”, afirmou Tamara Maciel, coordenadora geral da Agroacademy, durante entrevista ao Agro e Prosa.

A popularização da tecnologia, contudo, exige formação profissional. Segundo Tamara, o ponto inicial para alcançar bons resultados é a qualificação. “O primeiro passo é capacitação. É preciso entender o perfil do aluno, se ele é produtor, prestador de serviço ou busca atuar apenas como piloto”, explicou. A Agroacademy se apresenta como a maior escola de formação de pilotos de drone no país, oferecendo certificações reconhecidas pelo Ministério da Agricultura e Pecuária (MAPA), como o Certificado de Aplicador Aéreo Agrícola Remoto (CAAR) e a habilitação de piloto, além da carteira internacional de operador da DJI

A legislação é um ponto central para quem pretende utilizar drones agrícolas. A operação requer registro do equipamento e certificação do piloto, além do cumprimento das normas da Agência Nacional de Aviação Civil (ANAC) e do MAPA. Cada voo precisa ser autorizado no portal Sarpas, plataforma de solicitação e análise de áreas permitidas. “Não é comprar o drone e usar. O piloto precisa registrar o equipamento, o voo e seguir os protocolos. As penalidades por descumprimento vão de advertências a multas que podem chegar a R$2 milhões”, explicou Tamara.

O curso completo da Agroacademy soma 28 horas de formação CAAR e 26 horas de treinamento de piloto, além de um dia de prova teórica e dois dias de prática. As aulas abordam toxicologia, uso de equipamentos de proteção, teoria da gota e deriva, tecnologia de aplicação, preparo de calda, funcionamento dos dispersores, bases RTK, manuseio do controle e procedimentos legais. Os estudantes participam das aulas teóricas remotamente. A prática ocorre em polos distribuídos em diversas regiões do país. “Temos cerca de 70 polos parceiros. O aluno conclui a parte teórica e recebe dois dias de prática presencial com acompanhamento técnico”, afirmou.

A atuação com drones também depende da adaptação à cultura e ao relevo da área. A escola coleta informações prévias sobre o perfil do aluno e sua região de trabalho para ajustar o conteúdo. “Nós moldamos o treinamento conforme a cultura predominante, seja café, arroz, uva ou frutíferas. Isso inclui declividade do terreno e condições climáticas”, detalhou Tamara. O clima é um fator relevante, principalmente em relação à deriva e ao cálculo de aplicação após períodos de chuva.

A multifuncionalidade dos drones se tornou outro atrativo. Além da pulverização, os equipamentos podem realizar dispersão de sementes, transporte de cargas leves — comum em pomares —, limpeza predial e aplicação de produtos de saúde pública. “É um equipamento que abre várias possibilidades ao operador, inclusive em períodos de menor demanda agrícola”, disse.

Manutenção e higiene dos equipamentos também precisam de atenção. Tamara destacou o cuidado com baterias, a realização de checklists antes e depois de cada voo e a manutenção preventiva em empresas autorizadas a cada ciclo de uso. Sobre higienização, não há exigência de tríplice lavagem do dispersor, embora normas atualizadas do MAPA estejam em discussão.

O mercado de trabalho apresenta um cenário favorável. A escola já formou 4.500 pilotos desde 2021, mas a procura por operadores qualificados segue elevada. “Tem muitas vagas. Produtores e empresas relatam dificuldade para encontrar pilotos treinados”, afirmou. A remuneração média varia entre R$5 mil e R$6 mil mensais, além de comissão por hectare aplicado, dependendo da região.

A formação não exige escolaridade específica, apenas idade mínima de 18 anos — ou 16 e 17 com emancipação. Para interessados, o curso completo custa em torno de R$5 mil. As certificações separadas têm valor aproximado de R$2.500 cada.

Segundo Tamara, a escola mantém um banco de dados atualizado com informações dos alunos para facilitar a contratação por empresas e produtores. “Nós acompanhamos as demandas e indicamos profissionais conforme a região”, completou.

Fonte: Agro em Campo

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