Região Centro-Oeste, 25 de junho de 2026

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Arara-azul volta à lista de espécies ameaçadas após 12 anos

Incêndios no Pantanal agravam risco de extinção da ave símbolo de MS
Foto: Divulgação, Instituto Arara Azul

Instituto Arara Azul alerta para perda de ninhos e habitats naturais

A arara-azul voltou à Lista Nacional Oficial de Espécies Ameaçadas de Extinção após 12 anos, segundo o Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima, em um cenário que reacende o alerta sobre a conservação da espécie símbolo de Mato Grosso do Sul. O retorno à lista ocorre após a intensificação de fatores ambientais e humanos que afetam diretamente sua sobrevivência no Pantanal e em outras áreas de ocorrência.

O principal agravante apontado por especialistas são os grandes incêndios registrados no Pantanal nos últimos anos, que destroem ninhos, ovos e filhotes, além de comprometerem o habitat baseado em palmeiras essenciais para alimentação e abrigo. Segundo a presidente do Instituto Arara Azul, Neiva Guedes, os efeitos do fogo não são imediatos apenas, mas se prolongam por anos, reduzindo a capacidade de reprodução e alterando o equilíbrio das populações. Dados ambientais mostram ainda a dimensão das queimadas e a perda contínua de vegetação nativa no bioma.

Além dos incêndios, pesquisadores destacam outros fatores de pressão como o uso de agrotóxicos e o tráfico de animais silvestres, que contribuem para o enfraquecimento das populações da espécie. O Instituto Arara Azul registra desde 1990 a redução de casais reprodutivos e problemas no desenvolvimento de filhotes, incluindo baixa imunidade e crescimento comprometido. Em Bodoquena, o Ibama autuou um empreendimento por prática de ceva e exploração inadequada de araras, reforçando a preocupação com o contato humano indevido.

Apesar do cenário de risco, ações de conservação como manejo de ninhos naturais e instalação de ninhos artificiais têm contribuído para resultados positivos em alguns períodos recentes. Ainda assim, especialistas alertam que a recuperação da espécie depende de mais investimentos, fiscalização e equipes especializadas para garantir a proteção contínua da fauna. O monitoramento também avança para outras regiões, como a Amazônia, onde já há registros de perda de ninhos e maior vulnerabilidade das aves em áreas abertas e isoladas.

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