Anapa aponta concorrência desleal e dependência do mercado argentino
A Associação Nacional dos Produtores de Alho (Anapa) estima que a área plantada de alho no Brasil deve recuar entre 15% e 20% neste ano, em um movimento atribuído principalmente ao aumento da oferta do produto argentino no mercado interno, que provocou excesso de produto, queda acentuada de preços e prejuízos aos agricultores nacionais. O cultivo, que envolve cerca de 40 mil produtores no Cerrado e na região Sul, tem sido pressionado pela concorrência externa, especialmente em um cenário de importação sem tarifas dentro do Mercosul.
Em 2024, o Brasil produziu 172,8 mil toneladas de alho, enquanto o consumo interno chega a 360 mil toneladas por ano, o que já torna o país dependente de importações. Diante desse quadro, a Anapa afirma que deve protocolar até maio um pedido de direito antidumping contra o alho argentino, alegando prática de preços abaixo do custo de produção. Segundo a entidade, a Argentina direciona grande parte de sua produção ao mercado brasileiro, que absorve cerca de 70% do total exportado pelo país vizinho. O setor avalia que a continuidade desse fluxo intensifica a pressão sobre os preços internos e compromete a sustentabilidade da produção nacional no curto prazo.