Região Centro-Oeste, 5 de junho de 2026

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Brasil registra receita recorde de US$ 1 bilhão em julho, mas volume de exportação cai 27,6% em meio à guerra comercial

As exportações brasileiras de café enfrentam um cenário desafiador em 2025. Apesar de uma receita cambial recorde de US$ 1,033 bilhão em julho, o volume de embarques despencou 27,6% no mesmo período, totalizando 2,733 milhões de sacas de 60 kg. Os dados são do Conselho dos Exportadores de Café do Brasil (Cecafé).

O Brasil mantém os Estados Unidos como principal destino de suas exportações de café, representando 16,8% do total embarcado nos primeiros sete meses de 2025. No entanto, a tarifa de 50% imposta pelo governo americano em agosto promete alterar drasticamente esse cenário.

“Até julho, não observamos o impacto real do tarifaço, já que a medida começou a valer em 6 de agosto”, explica Márcio Ferreira, presidente do Cecafé. “As indústrias americanas possuem estoque para 30 a 60 dias, mas os pedidos de prorrogação já preocupam o setor.”

Impacto financeiro das prorrogações

As consequências financeiras das prorrogações vão além da simples postergação de embarques. Segundo Ferreira, o mercado internacional opera no formato “invertido”, onde contratos futuros mais distantes apresentam descontos significativos.

Impacto financeiro das prorrogações

As consequências financeiras das prorrogações vão além da simples postergação de embarques. Segundo Ferreira, o mercado internacional opera no formato “invertido”, onde contratos futuros mais distantes apresentam descontos significativos.

Essa aparente contradição reflete os elevados preços internacionais do café, impulsionados pelo desequilíbrio entre oferta e demanda global.

Entre os cinco principais destinos do café brasileiro, a Alemanha ocupa a segunda posição com 2,656 milhões de sacas (-34,1%), seguida por:

Itália: 1,733 milhão de sacas (-21,9%)

Japão: 1,459 milhão de sacas (+11,5%)

Bélgica: 1,374 milhão de sacas (-49,4%)

China: nova fronteira ou expectativa exagerada?

O credenciamento de 183 empresas exportadoras brasileiras na China gerou expectativas no mercado. Contudo, Ferreira pondera que isso não garante aumento automático das exportações.

“A China importou 571.866 sacas de janeiro a julho, ocupando apenas a 11ª posição no ranking”, esclarece. “O crescimento deve ocorrer naturalmente ao longo dos próximos anos.”

Foto: Agência Agro em Campo

Os cafés diferenciados (com certificações sustentáveis ou qualidade superior) representaram 21,5% das exportações totais, gerando receita de US$ 2,026 bilhões. Portanto, o preço médio de US$ 425,78 por saca confirma o valor agregado destes produtos.

Infraestrutura portuária concentrada

O Porto de Santos mantém liderança absoluta, concentrando 80,4% das exportações (17,809 milhões de sacas). O complexo portuário do Rio de Janeiro responde por 15,5%, enquanto Paranaguá registra apenas 0,9%.

O Cecafé trabalha diplomaticamente para incluir o café brasileiro na lista de isenções do tarifaço americano, argumentando que o produto não compete com a produção local americana e é fundamental para a economia de ambos os países.

“Nossa história comercial é muito maior do que este momento”, conclui Ferreira. “Com pragmatismo e diplomacia, devemos negociar em favor dos dois lados.”

Fonte: Agro em Campo

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