O Brasil é um dos países que mais utiliza bioinsumos no mundo e, na última safra, o faturamento do setor superou R$ 7 bilhões. Atualmente, o país é o terceiro do mundo que mais consome bioinsumos, atrás da China e Estados Unidos. Os dados foram apresentados durante o Workshop de Inteligência de Mercado em Bioinsumos, promovido pela ANPII Bio em Campinas (SP).
O avanço expressivo reflete uma mudança estrutural no campo. Entre 2022 e 2025, o número de empresas do setor cresceu mais de 50%. Segundo Larissa Bonotto, diretora de operações da ANPII Bio, o crescimento está diretamente ligado ao acesso a dados qualificados e à integração da cadeia produtiva. “Iniciativas de inteligência são fundamentais para sustentar esse crescimento e consolidar o país como protagonista global”, avalia a executiva.
Soja e milho lideram adoção de biológicos
O uso de defensivos e fertilizantes biológicos já é uma realidade em larga escala no Brasil. De acordo com o levantamento da Blink Inteligência Aplicada, as culturas de soja, milho, cana-de-açúcar, algodão, café e citros concentram 96% do mercado nacional. No milho, por exemplo, os bioinsumos já representam 10,1% do total de insumos utilizados, superando a média de outras culturas.
No detalhamento por segmento, os bionematicidas aparecem na liderança com 31% de participação, seguidos pelos bioinseticidas (25%) e biofungisidas (15%). A expansão em área tratada com biológicos comerciais foi de 15,8% na comparação com a safra anterior. No entanto, o faturamento do setor cresceu em ritmo menor, cerca de 3,6%, evidenciando uma forte competição de preços entre as mais de 200 empresas registradas no Ministério da Agricultura (MAPA).
Desafios e perspectivas para o mercado global
Apesar do otimismo, o setor enfrenta o desafio de comprovar resultados agronômicos para manter a confiança do produtor. Ignacio Moyano, da DunhamTrimmer International, ressalta que o crescimento global é impulsionado pela demanda por sustentabilidade e eficiência produtiva. “A captura de valor agora passa pela capacidade das empresas de entregar consistência agronômica e suporte técnico”, explica Moyano.
Para os próximos cinco anos, a projeção é de uma nova onda de crescimento. Estima-se uma expansão de 66% na área tratada com biológicos comerciais no Brasil até 2030. A baixa dependência externa é um trunfo da indústria nacional: 85% da produção de bioinsumos utilizada nas lavouras brasileiras é fabricada por empresas instaladas no próprio país.
Fonte: Agroband