Região Centro-Oeste, 16 de julho de 2026

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Café brasileiro atinge maior valor já embarcado ao exterior

As exportações brasileiras de café somaram US$14,7 bilhões na safra 2024/25, maior receita da história, impulsionadas por preços elevados, apesar da queda de 3,9% no volume embarcado, informou o Cecafé.

As exportações brasileiras de café renderam receita recorde de US$14,728 bilhões no ciclo 2024/25, conforme dados divulgados pelo Conselho dos Exportadores de Café do Brasil (Cecafé). O valor representa um avanço de 49,5% frente ao recorde anterior, de US$9,849 bilhões, registrado entre julho de 2023 e junho de 2024.

Segundo Márcio Ferreira, presidente do Cecafé, o desempenho histórico foi sustentado pelo forte aumento dos preços internacionais, especialmente no segundo semestre de 2024. Ele atribui a elevação às limitações produtivas observadas nos principais países produtores, como Vietnã, Colômbia e Indonésia, afetados por extremos climáticos nos últimos anos.

“O cenário de restrição de oferta mundial impulsionou significativamente os preços, resultando na maior receita cambial já registrada pelas exportações de café do Brasil”, afirmou Ferreira.

Em volume, o país exportou 45,589 milhões de sacas de 60 quilos, equivalentes a 152.938 contêineres, distribuídos para 115 países. O número representa recuo de 3,9% ante os 47,455 milhões de sacas da safra anterior, mas ainda assim configurou o terceiro maior volume histórico, atrás de 2023/24 e 2020/21.

O executivo do Cecafé destacou a relevância do resultado diante de um contexto marcado por tensões geopolíticas e desafios logísticos. “O resultado é expressivo, considerando o cenário de conflitos internacionais, infraestrutura portuária defasada no Brasil e novas exigências regulatórias de sustentabilidade, sobretudo na Europa, que segue como principal destino dos cafés brasileiros”, comentou.

No recorte mensal, o fechamento de junho consolidou o recorde ao contabilizar exportação de 2,606 milhões de sacas e receita de US$1,030 bilhão. No acumulado do primeiro semestre de 2025, o país embarcou 19,411 milhões de sacas, gerando US$7,519 bilhões.

Os Estados Unidos lideraram as compras na safra 2024/25, com aquisição de 7,468 milhões de sacas, alta de 5,65% ante o ciclo anterior, representando 16,4% do total exportado. A Alemanha figurou na segunda posição, com 6,526 milhões de sacas (+0,25%), seguida por Itália (3,554 milhões de sacas, -5,96%), Bélgica (3,088 milhões, -21,2%) e Japão (2,293 milhões, -7,38%).

Em relação aos tipos de café, o arábica respondeu por 76,4% dos embarques, com 34,808 milhões de sacas exportadas, retração de 1,9% sobre o período anterior. O canéfora (robusta + conilon) representou 14,4% do total, com 6,572 milhões de sacas (-20,3%). Já o café solúvel somou 4,152 milhões de sacas, alta de 12,6%, e o produto torrado ou torrado e moído encerrou a safra com 56.862 sacas exportadas, incremento de 21,3%.

Os cafés diferenciados, que possuem certificações de qualidade ou sustentabilidade, totalizaram 8,907 milhões de sacas exportadas, com crescimento de 1,2% na comparação anual e participação de 19,5% do volume geral. A receita gerada por esses produtos foi de US$3,292 bilhões, alta de 63,2%, com preço médio de US$369,56 por saca.

Nesse segmento, os Estados Unidos também ocuparam a primeira posição entre os destinos, comprando 1,744 milhão de sacas (19,6% do total), seguidos por Alemanha (1,477 milhão), Bélgica (813 mil), Países Baixos (593 mil) e Itália (509 mil sacas).

Os embarques foram majoritariamente realizados pelo Porto de Santos, responsável por 33,079 milhões de sacas (72,6% do total). O complexo portuário do Rio de Janeiro respondeu por 22,7%, com 10,337 milhões de sacas, e o Porto de Vitória exportou 348 mil sacas (0,8%).

O Cecafé reforçou que o desempenho do setor exportador ocorreu em paralelo à adaptação das empresas brasileiras às novas exigências de sustentabilidade, que já impactam a comercialização internacional. “Mantivemos exportações superiores a 23 milhões de sacas para a Europa, o que comprova o alinhamento do Brasil às práticas socioambientais”, pontuou Ferreira.

Por: Divino Onaldo/Agro&Prosa

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