O preço da carne suína e do animal vivo registrou queda nos primeiros 10 dias do mês de março, atingindo o menor patamar real desde abril de 2024, segundo dados divulgados pelos pesquisadores do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea). Apesar do aumento sazonal na demanda e do maior poder de compra da população, os preços não apresentaram a recuperação esperada pelos produtores.
Atualmente, o valor médio do animal vivo negociado na praça SP-5 (que abrange regiões como Bragança Paulista, Campinas, Piracicaba, São Paulo e Sorocaba) está fixado em R$ 6,94 por quilo. Este índice representa o nível mais baixo em termos reais — quando ajustado pela inflação (IGP-DI) — dos últimos onze meses.
Para comparação, o valor só foi menor em abril de 2024, período em que o suíno foi comercializado a R$ 6,89 por quilo. A estabilidade forçada dos preços, mesmo em um cenário de consumo aquecido, tem gerado insatisfação entre os agentes do setor.
De acordo com a análise dos pesquisadores do Cepea, a principal causa para a falta de liquidez no mercado independente é o cenário externo. O conflito no Oriente Médio tem gerado especulações que impactam diretamente variáveis econômicas sensíveis, como o preço do petróleo e a cotação do dólar.
Diante dessas incertezas geopolíticas, tanto produtores quanto indústrias têm evitado realizar ajustes nos preços de comercialização. Essa postura cautelosa visa proteger as margens de lucro contra possíveis altas repentinas nos custos de produção, especialmente no transporte e nos insumos.
Fonte: Agroband