O nome científico dessa árvore que apresenta altura entre 8 e 12 metros, troncos robustos
e ramos quadrangulares é “Tibouchina granulosa”. Espécie que pode viver até cerca de 70
anos, cujas floradas entre janeiro e abril, agosto a outubro, são inconfundíveis pela cor roxa
atraente ao paisagismo.
Originária da mata atlântica, a Quaresmeira também nasce no Cerrado e em regiões do sul
brasileiro, sobretudo se estas apresentarem temperaturas moderadas. Seus frutos são
secos e pequenos, facilmente dispersos pelo vento. As folhas, de cor viva e nervuras
definidas, contrastam com o roxo marcante das flores. É uma árvore prática e ornamental
que pode ser cultivada com simplicidade, desde que encontre solo fértil ou seja enriquecida
com nutrientes orgânicos.
A beleza tem delicadezas. Os galhos da Quaresmeira podem ser facilmente quebrados,
sobretudo em períodos de vento. Sua madeira é leve, portanto, adequada às pequenas
confecções.
O simbolismo da Quaresmeira
O próprio nome e o tempo da floração indicam o simbolismo. A Quaresmeira é a árvore cuja
florada coincide com o período da Quaresma, simbolizado pela cor roxa.
A Quaresma é um período de quarenta dias da tradição cristã católica, cuja origem remonta
ao século IV. É o tempo de recolhimento e meditação que conduz às celebrações da Paixão
e Morte de Jesus, antes de proclamar a maior solenidade da Igreja: a Páscoa. Mas tal como
o tempo da natureza, esse tempo ritual também encontra suas as floradas. Após o roxo
quaresmal reflexivo, a cor predominante, entre abril e junho, será o dourado e o branco
associados à alegria pascal.
Vale lembrar que essa associação simbólica entre a Quaresmeira e o tempo ritual é cultural,
ou seja, cultivada pela sociedade. O brasileiro com a sua herança religiosa, em algum

Esta é uma das características da relação entre a natureza e o homem, que a ela atribui
sentidos, narrativas e significados. As cores transformam-se em símbolos; eventos naturais
viram lendas; e a riqueza da terra é convertida em memória e tradição. “A natureza, mãe
bem atentada, um porto tão quieto, e tão seguro…” recordava um verso barroco.
Fonte: Agro em Campo