Região Centro-Oeste, 5 de junho de 2026

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Deficiência mineral compromete ganho de peso e reprodução de suínos

A suinocultura brasileira registra perdas de desempenho quando há desequilíbrio mineral na dieta. A deficiência de minerais afeta ganho de peso, imunidade e reprodução, com impacto direto na eficiência produtiva e nos custos das granjas.

O Brasil ocupa a quarta posição no ranking mundial de produção de carne suína, com oferta anual estimada em cerca de 5,8 milhões de toneladas, conforme dados da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab). Para sustentar esse volume, o manejo nutricional figura entre os pilares do desempenho zootécnico, com destaque para o equilíbrio de minerais na dieta dos animais ao longo das diferentes fases produtivas.

A deficiência mineral ou a baixa biodisponibilidade dos nutrientes interfere no metabolismo e na resposta imunológica dos suínos. Nessas condições, o organismo torna-se mais suscetível à ação de vírus, bactérias e parasitas, o que se reflete em maior incidência de doenças, menor ganho de peso e elevação de custos com tratamentos veterinários. Os impactos tendem a ser mais expressivos nos leitões, cujo sistema imunológico ainda está em desenvolvimento.

“Nessa fase, qualquer falha nutricional pode comprometer o desenvolvimento futuro do animal”, afirma Victor Sales, gerente de produtos da MCassab Nutrição e Saúde Animal. Segundo ele, o período inicial da vida dos suínos exige atenção redobrada à formulação das dietas, uma vez que alterações precoces podem repercutir ao longo de todo o ciclo produtivo.

Na avaliação de especialistas, o desempenho da suinocultura não depende apenas do volume de ração fornecido, mas da qualidade e da forma como os nutrientes são disponibilizados. Os minerais exercem funções diretamente relacionadas ao crescimento muscular, à formação óssea, à resposta imunológica e à reprodução. Quando há carência ou absorção inadequada, os sinais tornam-se evidentes no plantel.

“Os animais ganham menos peso, apresentam maior fragilidade sanitária e registram desempenho reprodutivo inferior”, explica Andressa Carla de Carvalho, coordenadora de produtos da MCassab Nutrição e Saúde Animal. De acordo com ela, esses efeitos comprometem indicadores produtivos e econômicos das granjas, com reflexos na taxa de conversão alimentar e na regularidade dos ciclos reprodutivos.

Entre os minerais mais associados ao desempenho zootécnico estão zinco, manganês, ferro, cobre e selênio. Quando fornecidos em formas orgânicas, esses elementos participam de processos metabólicos ligados à síntese de enzimas antioxidantes, como superóxido dismutase, catalase e glutationa peroxidase. Essas enzimas atuam na redução do estresse oxidativo e no suporte às defesas do organismo.

Na reprodução, o desequilíbrio mineral afeta tanto fêmeas quanto machos. “As matrizes podem apresentar falhas no ciclo reprodutivo e redução no número de leitões nascidos. Nos machos, observa-se prejuízo na produção e na qualidade dos espermatozoides”, relata Victor Sales, ao destacar a relação direta entre nutrição mineral e eficiência reprodutiva.

O avanço de tecnologias voltadas à suplementação mineral tem ampliado as alternativas disponíveis ao produtor. Minerais orgânicos apresentados na forma de glicinatos, por exemplo, utilizam estruturas que favorecem a estabilidade no trato digestivo e ampliam o aproveitamento dos nutrientes. A proposta é reduzir perdas por excreção e direcionar os minerais aos tecidos onde exercem suas funções metabólicas.

“A tecnologia de glicinatos permite que os minerais sejam reconhecidos e absorvidos com maior eficiência pelo organismo dos suínos”, explica Andressa Carla de Carvalho. Segundo ela, ao estarem ligados à glicina, esses nutrientes atravessam o sistema digestivo com menor interferência e alcançam os tecidos-alvo de forma mais consistente.

O uso contínuo desse tipo de suplementação tem sido associado a indicadores como maior velocidade de ganho de peso, melhor eficiência no consumo de ração, redução da mortalidade e menor demanda por medicamentos. No caso das matrizes, produtores relatam maior regularidade reprodutiva e ampliação da vida produtiva, fatores que influenciam diretamente a rentabilidade da atividade.

Diante de um cenário de margens pressionadas e exigências crescentes por eficiência, a nutrição mineral passa a integrar as estratégias de gestão das granjas. O ajuste fino das dietas, aliado ao acompanhamento técnico, tende a reduzir perdas silenciosas e a sustentar níveis produtivos compatíveis com a relevância da suinocultura brasileira no mercado global.

Fonte: Agro&Prosa

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