Região Centro-Oeste, 5 de junho de 2026

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Descarte de fêmeas bovinas exige estratégia e planejamento

Ao fim da estação de monta, pecuaristas realizam o descarte de matrizes não prenhes nas fazendas para renovar o rebanho e aliviar pastagens, adotando planejamento e nutrição estratégica para garantir retorno financeiro.

O encerramento da estação de monta marca um dos momentos mais estratégicos da pecuária de corte: a definição das matrizes que permanecerão no rebanho e daquelas que serão descartadas. A decisão, baseada no diagnóstico de gestação, permite identificar fêmeas que não emprenharam ou apresentaram falhas reprodutivas. Além de ajustar a estrutura do plantel, o procedimento reduz a pressão sobre as pastagens e abre espaço para a entrada de animais mais jovens e produtivos.

A recomendação técnica aponta para uma taxa anual de renovação próxima de 20%, índice considerado adequado para manter a produtividade do rebanho. O processo, contudo, vai além da simples retirada de vacas vazias. Exige registros zootécnicos atualizados, com informações sobre datas de parto, peso de bezerros à desmama, histórico sanitário e tratamentos realizados. A análise desses dados sustenta decisões técnicas e evita a permanência de matrizes com desempenho repetidamente abaixo do esperado.

“O descarte também precisa estar alinhado a um plano de reposição, assegurando que as novilhas de qualidade estejam prontas para entrar no rebanho e manter o número de animais produtivos estável”, afirma Bruno Marson, diretor técnico industrial da Connan. A declaração indica que a retirada de fêmeas improdutivas deve ocorrer de forma sincronizada com a preparação das futuras matrizes, preservando o equilíbrio do sistema.

Do ponto de vista econômico, a estratégia não se limita à redução de custos. As vacas descartadas representam oportunidade de geração de receita adicional, desde que direcionadas a um programa de terminação adequado. O objetivo é recuperar o escore corporal e agregar valor à carcaça antes do abate, ampliando a margem da operação.

Para ciclos curtos de engorda, entre 50 e 90 dias, é possível adotar dietas mais energéticas, com inclusão de ração concentrada na proporção de 1% do peso vivo em regime de pastagem, ou optar pelo confinamento, buscando acabamento leve na carcaça. Outra alternativa é o uso de suplemento proteico energético entre 0,3% e 0,5% do peso vivo, indicado para pastagens de boa qualidade e com menor custo operacional.

A escolha do protocolo nutricional depende da condição corporal inicial das fêmeas. Quanto mais cedo a estratégia for implementada após o diagnóstico negativo de gestação, maior a possibilidade de alcançar peso e acabamento adequados antes de períodos mais desafiadores, como a seca. Esse planejamento reduz a permanência improdutiva de animais no sistema e contribui para o ajuste do fluxo de caixa.

“O objetivo final desse manejo é garantir que a fêmea de descarte gere o máximo de renda possível através da venda da carne, com um custo-benefício favorável ao produtor”, destaca Marson. Ele acrescenta que “um programa de descarte bem elaborado pode aumentar significativamente a eficiência e a lucratividade da fazenda, sendo um bom aporte no fluxo de caixa e na produção geral do rebanho”.

Ao integrar diagnóstico reprodutivo, controle zootécnico e nutrição direcionada, o descarte deixa de ser apenas uma etapa administrativa e passa a compor a estratégia econômica da propriedade. A prática, quando estruturada, contribui para a renovação genética, melhora indicadores produtivos e transforma uma decisão técnica em instrumento de gestão financeira da pecuária de corte.

Fonte: Agro&Prosa

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