Documento americano cita saída de empresas da Moratória da Soja
O Escritório Comercial dos Estados Unidos (USTR) citou a lei de Mato Grosso que enfraquece a Moratória da Soja como exemplo de ação que estaria reduzindo os esforços de combate ao desmatamento no Brasil. No documento de 107 páginas que embasa a recomendação de uma tarifa de 25% sobre produtos brasileiros, o órgão afirma que a medida teve efeito dissuasório e teria levado grandes empresas multinacionais a se retirarem do acordo, o que pode enfraquecer seu impacto ambiental. Segundo o USTR, a iniciativa do governo mato-grossense, que retirou benefícios fiscais de companhias aderentes à moratória, contribui para fragilizar mecanismos de controle do desmatamento.
O texto também relaciona o tema às alegações de falhas brasileiras na proteção ambiental, ponto central da justificativa comercial norte-americana. A Moratória da Soja, em vigor há 18 anos, é considerada uma das principais iniciativas de contenção do desmatamento na Amazônia e já foi incorporada a políticas públicas brasileiras. Esta é a primeira vez que uma medida estadual do país é citada oficialmente por um governo estrangeiro como argumento para aplicação de restrições comerciais ao Brasil.