As exportações brasileiras de frutas frescas para a Europa registraram crescimento expressivo em 2025, impulsionadas pela ampliação da demanda e pelo fortalecimento da presença do Brasil no mercado europeu. Dados do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços indicam avanço de 19,1% no volume embarcado e de 12,8% no valor exportado em relação a 2024, considerando frutas como manga, melão, limão, melancia, uva e mamão.
A União Europeia manteve-se como principal destino das frutas brasileiras, respondendo por 79% do total exportado no ano. Esse desempenho ocorre em um ambiente ainda marcado por tarifas de importação entre 4% e 14%, o que reforça a expectativa de novos avanços com a assinatura do acordo de livre comércio entre Mercosul e União Europeia, formalizada em 2025 após mais de duas décadas de negociação.
Segundo Patrícia Cesarino, engenheira agrônoma e gerente de marketing da Ascenza Brasil, o acordo representa uma mudança estrutural para a fruticultura nacional. “A redução e a eliminação de tarifas vão ampliar a competitividade das nossas frutas no mercado europeu e criar condições para acelerar o crescimento observado em 2025, com mais previsibilidade e geração de valor ao longo da cadeia produtiva”, afirmou.
Em termos gerais, as exportações totais do Brasil para a Europa cresceram 6,2% em valor e 3,4% em volume em 2025. No recorte específico da fruticultura, o desempenho foi superior à média, refletindo maior inserção dos produtos brasileiros em um mercado caracterizado por exigências sanitárias rigorosas e maior valor agregado.
A estimativa da Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos aponta que o faturamento da fruticultura pode alcançar US$ 1,8 bilhão até 2029, crescimento de aproximadamente 40% frente aos níveis atuais. Em 2025, o Brasil exportou 1,2 milhão de toneladas de frutas frescas, gerando receita próxima de US$ 1,3 bilhão.
As seis principais frutas exportadas à Europa somaram US$ 967 milhões em receita, acima dos US$ 857,6 milhões registrados em 2024. Em volume, os embarques passaram de 796,6 mil toneladas para 949 mil toneladas no mesmo período. Manga e melão lideraram os envios, com 226,3 mil toneladas de manga e 269,5 mil toneladas de melão destinadas ao mercado europeu.
A melancia apresentou o maior crescimento relativo, com alta de 44,3% no volume exportado e avanço de 60,5% na receita em relação ao ano anterior. Esse desempenho reforça a diversificação da pauta exportadora brasileira e a ampliação do espaço ocupado por frutas frescas no comércio internacional.
Outro produto agrícola relevante, o café, também apresentou crescimento expressivo em receita nas exportações à Europa em 2025, embora com recuo no volume embarcado. A receita avançou 34,2%, alcançando US$ 8,7 bilhões, enquanto o volume caiu de 1,6 milhão para 1,3 milhão de toneladas, reflexo do cenário de preços internacionais elevados.
De acordo com o cronograma do acordo Mercosul–União Europeia, as tarifas sobre uvas frescas serão eliminadas com a entrada em vigor do tratado. Melões, melancias e limões terão redução gradual até zerar em cerca de sete anos, enquanto abacate e maçã terão prazos de quatro e dez anos, respectivamente. Manga e mamão já entram sem tarifa, em função da dependência europeia desses produtos.
Para Patrícia Cesarino, o acordo fortalece a posição do Brasil como fornecedor de alimentos ao mercado europeu. “Estamos falando de um mercado maduro e exigente, no qual o Brasil tem espaço para ampliar volumes e receita de forma estruturada, beneficiando produtores, exportadores e consumidores”, destacou.
Fonte: Agro&Prosa