Crise no estreito de Ormuz pode afetar bilhões de refeições
O conflito envolvendo Estados Unidos, Israel e Irã no Oriente Médio já provoca efeitos diretos na cadeia global de alimentos ao interromper o fluxo de fertilizantes pelo estreito de Ormuz, ponto estratégico do comércio marítimo mundial. Segundo especialistas do setor, cerca de meio milhão de toneladas de fertilizantes nitrogenados deixaram de ser produzidas, o que pode comprometer até 10 bilhões de refeições por semana em escala global. Os preços desses insumos já subiram aproximadamente 80% desde o início das hostilidades, pressionando diretamente o custo de produção agrícola em diversos países.
Regiões mais vulneráveis como África subsaariana, Ásia e América Latina são as mais expostas aos impactos imediatos, por já operarem com baixa aplicação de fertilizantes. A redução no uso de fertilizantes pode diminuir a produtividade de algumas culturas em até 50% já na próxima safra, agravando o risco de insegurança alimentar. Organismos internacionais alertam que milhões de pessoas podem ser empurradas para a fome aguda caso a crise se prolongue ao longo de 2026.
Enquanto isso, agricultores enfrentam simultaneamente alta no diesel, energia e insumos, sem reajuste proporcional no preço das colheitas, ampliando a pressão econômica no campo.