Região Centro-Oeste, 5 de junho de 2026

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Leite de jumenta impulsiona pecuária brasileira e mira mercados premium

Produto hipoalergênico e funcional atrai Europa e Ásia com preços de até 50 euros/litro

O leite de jumenta começa a despontar como uma alternativa promissora para diversificar e fortalecer a pecuária brasileira. Rico em proteínas e lactose em proporções semelhantes às do leite humano, o produto atende a uma demanda global crescente por alimentos funcionais e hipoalergênicos.

Nos mercados europeu e asiático, o litro pode custar entre 30 e 50 euros, o que o torna um dos leites mais valorizados do mundo. Segundo Gustavo Carneiro, professor de Medicina Veterinária da Universidade Federal Rural de Pernambuco (UFRPE), o leite de jumenta reúne propriedades nutricionais e imunológicas únicas. “O produto tem grande potencial no mercado nacional e internacional, especialmente para crianças com intolerância à proteína do leite de vaca”, afirma o pesquisador.

Carneiro destaca que o nicho de alimentação infantil e de produtos funcionais pode aumentar a renda de pequenos produtores e fomentar novas cadeias produtivas no meio rural. Além de ser consumido como alimento, o leite de jumenta também ganha espaço na indústria cosmética, com resultados promissores em produtos naturais para pele.

Benefícios

Rico em vitaminas A, B1, B2, C e E, minerais e compostos bioativos, o leite contribui para hidratação e regeneração da pele. Cremes, loções, sabonetes e máscaras faciais feitos com a matéria-prima brasileira já despertam atenção de consumidores na Europa e na Ásia.

Leite de jumenta tem grande procura na Ásia e Europa

A asininocultura também abre oportunidades para a indústria farmacêutica. A indústria utiliza a pele do animal na fabricação de biofármacos, colágeno e gelatina, enquanto os resíduos da produção abastecem a geração de biogás e a produção de adubo, fortalecendo a lógica da economia circular. O setor ainda vislumbra novas frentes no turismo rural, com experiências voltadas à produção artesanal do leite.

Pesquisas avançam no Nordeste

Na Universidade do Agreste de Pernambuco (Ufape), em Garanhuns, equipes de pesquisadores desenvolvem estudos para uso terapêutico do leite de jumenta em UTIs neonatais. O coordenador do projeto, professor Jorge Lucena, prevê que os testes com bebês sejam finalizados até o primeiro semestre de 2026.

“Todo o processo segue boas práticas de produção, com rebanho controlado, vacinação atualizada e pasteurização cuidadosa”, explica Lucena. Segundo ele, o modelo segue o exemplo da Itália, onde o leite de jumenta já integra protocolos hospitalares.

Com pesquisas em avanço e o interesse do mercado em expansão, a asininocultura desponta como uma alternativa sustentável de geração de renda no campo. O setor combina inovação, valor agregado e aproveitamento total dos resíduos animais, o que pode consolidar uma nova cadeia produtiva para a pecuária brasileira nos próximos anos.

Fonte: Agro em Campo

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