Região Centro-Oeste, 5 de junho de 2026

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Lichia conquista Europa com variedades exclusivas e tecnologia de ponta

Lichia conquista Europa com variedades exclusivas e tecnologia de ponta
Foto: Divulgação Sec Agricult. SP

Na região de Avaré (SP), produtores revolucionam a comercialização da lichia. A fruta, tradicionalmente associada às festividades de fim de ano, agora protagoniza uma cadeia produtiva moderna. Novos métodos de conservação, processamento industrial e o cultivo de variedades tardias permitem que agricultores estendam o período de vendas e agregam valor ao produto

A casca rígida e áspera da lichia esconde uma polpa carnuda e aromática que conquista paladares. No Brasil, a fruta simboliza as celebrações de dezembro e janeiro, período em que os produtores concentram a colheita. Na China, seu país de origem, a lichia carrega o título de “fruta do amor” há mais de mil anos.

A Britchis, empresa familiar de Itaí (SP), cultiva a fruta milenar em escala industrial. A propriedade destina 114 de seus 194 hectares exclusivamente à produção de lichia. A Diretoria de Assistência Técnica Integral (CATI) da Secretaria de Agricultura e Abastecimento do Estado de São Paulo, por meio da CATI Regional Avaré, oferece suporte técnico à operação.

Oito variedades ampliam possibilidades comerciais

O pomar da Britchis cultiva oito variedades: Bengal (clássica), fogo, ouro, tutti-frutti, crocante, laranja, gigante e coração. A variedade Bengal, mais comum nos mercados do sudeste brasileiro, pesa cerca de 20 gramas. A Gigante alcança 40 gramas, enquanto a Coração se destaca pela casca que se rompe facilmente sob pressão leve.

“A fruta atinge preços relativamente altos no mercado. Identificamos uma grande oportunidade de trabalhar de forma disruptiva no marketing e na criação de novos produtos, algo que não era foco dos produtores brasileiros até então”, explica Ricardo Pinto, produtor que administra a propriedade com a esposa Adriana e os filhos.

Foto: Divulgação Sec Agricult. SP

Em 2025, a família Pinto exportou quase metade de toda a lichia brasileira para o mercado europeu.

Processamento resolve problema de descarte e gera renda anual

A expansão para o mercado externo, iniciada há três anos, trouxe um desafio: compradores internacionais rejeitam frutas com pequenas imperfeições estéticas, mesmo quando perfeitas para consumo. A tecnologia de processamento ofereceu uma solução sustentável.

Hoje, os produtores descascam e descaroçam a polpa, congelando-a em ultra-congeladores. O processo garante renda durante o ano inteiro. Outra parte da produção passa por liofilização e se transforma em snack crocante que preserva os açúcares naturais da fruta.

A diversificação continua: a lichia origina uma aguardente cristalina e perfumada, a “passa de lichia”, geleias e até a lichiada, uma bebida exótica que amplia as possibilidades de consumo.

Cadeia Produtiva Local fortalece pequenos agricultores

A operação bem-sucedida reflete o fortalecimento da Cadeia Produtiva Local (CPL), que envolve 18 municípios do sudeste paulista. Em 2025, o projeto recebeu recursos do Governo do Estado para fomentar o desenvolvimento dos pequenos produtores.

Euvaldo Neves Pereira Junior, engenheiro agrônomo e chefe da CATI Regional Avaré, destaca a vocação regional para fruticultura. “Nossa produção foge da época tradicional de outros mercados. Isso nos permite oferecer um produto diferenciado quando a oferta global diminui”, aponta.

A lenda chinesa que deu à lichia o título de “fruta do amor”

A casca vibrante da lichia contrasta com sua polpa translúcida — uma dualidade que, na China, representa a essência do romance. O título de “fruta do amor” nasceu na Dinastia Tang, no século VIII.

Fonte: Agro em Campo

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