O mercado brasileiro de inseminação artificial registra sinais de amadurecimento e seletividade. Segundo relatório da Associação Brasileira de Inseminação Artificial (ASBIA), a comercialização de doses de sêmen para a pecuária de corte cresceu cerca de 5% no primeiro semestre de 2025 em relação ao mesmo período do ano anterior. Apesar da expansão, o cenário revela um comportamento mais criterioso por parte dos produtores, que buscam genética com resultados consistentes e rastreabilidade comprovada, especialmente em raças de nicho como o Wagyu.
A escolha do reprodutor tornou-se um ponto estratégico nas fazendas voltadas à carne de alto valor agregado. O Wagyu, reconhecido mundialmente pelo marmoreio e pela textura diferenciada, depende da qualidade genética para expressar plenamente seu potencial. “O investimento em sêmen de qualidade é o primeiro passo para garantir desempenho no campo e padronização na terminação”, afirma Tatiana Caruso, médica-veterinária da Guidara, empresa referência na criação, seleção genética e verticalização da raça no Brasil.
A especialista destaca que o setor vem evoluindo para um modelo mais técnico e orientado por dados. “Hoje não basta ter um touro bonito de catálogo. É preciso saber o que ele carrega no DNA e o que realmente transmite à progênie”, explica. Segundo ela, a consistência genética é determinante para a eficiência do sistema e para a redução de riscos econômicos em confinamentos. “Um animal de genética duvidosa pode comprometer todo o resultado”, observa.
Com a demanda por previsibilidade em ascensão, empresas especializadas vêm criando programas de integração e recompra que beneficiam produtores comprometidos com padrões genéticos elevados. A Guidara, por exemplo, bonifica animais cruzados com sua genética, assegurando retorno financeiro e segurança comercial aos parceiros. “Quando o produtor utiliza material genético com rastreabilidade e histórico comprovado, ele entra em outro patamar de previsibilidade, e é isso que permite a recompra”, afirma Daniel Steinbruch, presidente da empresa.
A tendência é confirmada também pelas centrais de coleta. Fernando Pereira, diretor da PremiumGen, central de comercialização de sêmen, relata um avanço expressivo na procura por touros selecionados com foco em marmoreio. “Há alguns anos, esses touros eram vistos como pouco comerciais pelas centrais. Hoje, são os mais procurados. O mercado entendeu que o fenótipo pode até vender catálogo, mas quem entrega resultado é o genótipo”, avalia.
O fortalecimento da genética de precisão aponta para um novo ciclo da pecuária de corte, no qual o investimento em informação e rastreabilidade genética se traduz em competitividade e rentabilidade. À medida que o consumidor se torna mais exigente e o mercado mais segmentado, o desempenho produtivo passa a depender diretamente da ciência aplicada à reprodução animal — uma tendência que deve se consolidar entre os criadores brasileiros voltados à carne de qualidade superior.
Fonte: Agro em Campo