Região Centro-Oeste, 5 de junho de 2026

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México estabelece cotas para importação de carnes e afeta o Brasil

Governo mexicano define limites de 70 mil toneladas para carne bovina e 51 mil para suína

O governo do México criou novas regras que limitam a quantidade de carnes bovina e suína que empresas mexicanas podem importar sem pagar impostos. As autoridades publicaram duas resoluções na segunda-feira (5) que estabelecem cotas de isenção tarifária e impõem taxas sobre volumes excedentes.

A mudança deve afetar diretamente as exportações brasileiras. Dados do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (Mdic) mostram que a carne bovina ocupou a segunda posição entre os produtos mais exportados pelo Brasil para o México de janeiro a novembro de 2025. A carne suína aparece na décima colocação.

Foto: Wenderson Araujo/Trilux/Sistema CNA/Senar

Como funcionam as novas cotas mexicanas

O México vai permitir a importação de 70 mil toneladas de carne bovina com isenção de tarifas. Volumes que ultrapassarem esse limite pagarão taxa de 20%. Para a carne suína, o país estabeleceu cota de 51 mil toneladas livres de impostos, com taxa de 16% sobre o excedente.

As regras valem até 31 de dezembro de 2026 e atingem países de fora da América do Norte sem acordos comerciais com o México. Segundo a Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA), Brasil, Chile e União Europeia devem utilizar principalmente essas cotas.

A Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes (Abiec) aguarda orientações do governo mexicano sobre a distribuição das cotas entre os países fornecedores.

O governo mexicano adotou a isenção tarifária ilimitada em 2022 como estratégia para combater a inflação. A iniciativa abrangia diversos produtos da cesta básica, com a condição de que os importadores mantivessem os preços estáveis.

A ABPA informou que o frango, principal produto brasileiro exportado para o México, continua com tarifa zerada.

O México representa o sétimo maior destino das exportações brasileiras de carne suína, atrás de Filipinas, Japão, China, Chile, Hong Kong e Singapura. Em volume, o país ocupa a quinta posição entre os clientes desse setor, segundo dados do Agrostat do Ministério da Agricultura referentes ao período de janeiro a novembro de 2025.

China também restringe importações

A decisão mexicana acontece apenas seis dias após a China anunciar medidas semelhantes. O governo chinês estabeleceu cotas anuais para importação de carne bovina com o objetivo de proteger produtores locais.

Atualmente, a China aplica taxa de 12% sobre importações de carne. Com as novas regras, volumes que excederem as cotas pagarão sobretaxa adicional de 55%. As medidas entraram em vigor no dia 1º de janeiro de 2026 e têm duração de três anos.

Atualmente, a China aplica taxa de 12% sobre importações de carne. Com as novas regras, volumes que excederem as cotas pagarão sobretaxa adicional de 55%. As medidas entraram em vigor no dia 1º de janeiro de 2026 e têm duração de três anos.

O Ministério do Comércio da China fixou a cota total de importação para 2026 em 2,7 milhões de toneladas, com aumentos anuais previstos. O limite se aproxima do recorde de 2,87 milhões de toneladas compradas em 2024, mas fica abaixo do volume importado nos primeiros 11 meses de 2025.

A China representa o maior comprador de carne bovina brasileira, e o Brasil atua como principal fornecedor do país asiático.

Fonte: Agro em Campo

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