Setor agro enfrenta pressão de juros altos, crédito restrito e custos externos
A crise de endividamento no agronegócio brasileiro se intensificou no início de 2026, com forte aumento das recuperações judiciais no setor. No primeiro trimestre, 539 empresas estavam nessa condição no país, o que representa alta de 58% em relação ao mesmo período do ano passado. Na comparação com o quarto trimestre de 2025, o avanço foi de 9,3%, segundo levantamento do Monitor RGF, da consultoria RGF&Associados.
O cenário confirma uma tendência de deterioração financeira já apontada por analistas do mercado. Entre os principais fatores estão os juros elevados, que encarecem o crédito e dificultam o refinanciamento das dívidas. As margens apertadas no campo também reduzem a capacidade de investimento e sobrevivência das empresas. O acesso ao crédito segue restrito, ampliando a pressão sobre produtores e tradings. Especialistas alertam que não há sinal de melhora no curto prazo para o setor. Além disso, a guerra no Oriente Médio agravou o quadro ao elevar os custos de insumos essenciais como fertilizantes e diesel.