Empresas do setor precisarão ajustar processos para preservar margens e fluxo de caixa
A Reforma Tributária vai alterar a dinâmica das cerealistas brasileiras, empresas que fazem a ligação entre produtores rurais, indústrias e o mercado exportador. O novo modelo fiscal exige mudanças na forma de compra, venda e controle das operações com grãos.
A principal transformação está na maneira como os tributos serão calculados, com a implantação do IBS e da CBS, que substituirão gradualmente impostos atuais. Para as empresas do setor, o desafio será identificar corretamente os créditos fiscais disponíveis em cada negociação.
A nova legislação também estabelece diferenças entre produtores rurais conforme o faturamento anual. Agricultores com receita acima do limite definido deverão emitir notas fiscais com impostos destacados, permitindo a recuperação de créditos pelas cerealistas.
Já os pequenos produtores terão acesso a um sistema de crédito presumido, criado para manter sua participação na cadeia produtiva. A medida busca evitar impactos negativos sobre os fornecedores de menor porte.
Outro ponto de atenção para as empresas é o fim gradual de mecanismos estaduais, como o diferimento do ICMS. Com a mudança para uma tributação baseada no destino, as cerealistas precisarão rever estratégias comerciais e financeiras.
Especialistas avaliam que a gestão tributária deixará de ser apenas uma atividade administrativa e passará a fazer parte das decisões de compra e comercialização. O controle dos créditos será fundamental para preservar o capital de giro.
A transição para o novo sistema ocorrerá até 2033, período em que o agronegócio terá de ajustar processos, investir em tecnologia e capacitar equipes para enfrentar as novas regras.