Região Centro-Oeste, 16 de julho de 2026

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Semente de moringa remove microplásticos da água com eficiência igual à do alumínio

Estudo da Unesp comprova que extrato das sementes coagula microplásticos de PVC tão bem quanto o sulfato de alumínio e supera o produto em águas mais alcalinas
Foto: Adriano Reis/ICT-Unesp

Pesquisadores do Instituto de Ciência e Tecnologia da Universidade Estadual Paulista (ICT-Unesp), em São José dos Campos, comprovaram que sementes de moringa (Moringa oleifera), conhecida também como acácia-branca, têm potencial para remover microplásticos da água. O estudo saiu na revista ACS Omega, da Sociedade Americana de Química.

O experimento mostrou que o extrato salino das sementes desempenha papel semelhante ao do sulfato de alumínio, coagulante amplamente usado em estações de tratamento de água. Em águas mais alcalinas, a semente superou o produto químico.

“Mostramos que o extrato salino das sementes tem uma performance parecida à do sulfato de alumínio. Em águas mais alcalinas, ele teve um desempenho até melhor do que o produto químico”, afirma Gabrielle Batista, primeira autora do estudo, desenvolvido durante seu mestrado no Programa de Pós-Graduação em Engenharia Civil e Ambiental (PPGECA) da Faculdade de Engenharia de Bauru (FEB-Unesp).

Por que a coagulação é essencial

Microplásticos carregam carga elétrica negativa na superfície, o que faz com que se repelem e também repelem a areia dos filtros de tratamento. Coagulantes como o extrato de moringa neutralizam essa carga, aglutinando os poluentes para que os filtros consigam retê-los.

O estudo focou na filtração em linha, indicada para águas de baixa turbidez. Nesse método, a água passa pela coagulação e vai diretamente a um filtro de areia, sem etapas intermediárias como floculação e sedimentação.

Por que a coagulação é essencial

Microplásticos carregam carga elétrica negativa na superfície, o que faz com que se repelem e também repelem a areia dos filtros de tratamento. Coagulantes como o extrato de moringa neutralizam essa carga, aglutinando os poluentes para que os filtros consigam retê-los.

O estudo focou na filtração em linha, indicada para águas de baixa turbidez. Nesse método, a água passa pela coagulação e vai diretamente a um filtro de areia, sem etapas intermediárias como floculação e sedimentação.

Como funciona na prática

Os pesquisadores contaminaram água de torneira com partículas de policloreto de vinila (PVC) envelhecidas artificialmente por irradiação ultravioleta, processo que simula a degradação natural. O PVC entra na lista dos microplásticos mais preocupantes para a saúde humana por seu potencial mutagênico e cancerígeno, além de alta prevalência em corpos d’água e na água tratada por métodos tradicionais.

Jar Test simula, em pequena escala, tratamento de água: experimentos mostraram boa eficiência da semente de moringa para coagulação de microplásticos. Foto: Gabrielle Batista

O tratamento aconteceu no Jar Test, equipamento que reproduz em laboratório as etapas de uma estação de tratamento. A equipe comparou os resultados entre o extrato de moringa e o sulfato de alumínio. Microscopia eletrônica de varredura (MEV) fez a contagem de partículas antes e depois do tratamento; câmera de alta velocidade e feixe de laser mediram o tamanho dos flocos e não identificaram diferenças significativas entre os dois coagulantes.

Limitação e potencial de uso

O coordenador do estudo, professor Adriano Gonçalves dos Reis (ICT-Unesp), aponta uma única desvantagem identificada até agora: o extrato eleva os níveis de matéria orgânica dissolvida na água, o que pode encarecer o tratamento em larga escala. Mesmo assim, ele vê aplicação clara em contextos menores.

“Em pequenas escalas, como propriedades rurais e pequenas comunidades, o método poderia ser usado com baixo custo e eficiência”, diz Reis.

O grupo já testa o extrato diretamente em água do rio Paraíba do Sul, manancial que abastece São José dos Campos, e os resultados preliminares confirmam a eficiência do produto em água natural.

Alternativa ao alumínio

A busca por substitutos aos coagulantes convencionais cresce junto com as preocupações regulatórias e de saúde pública. Compostos à base de alumínio e ferro não são biodegradáveis, deixam toxicidade residual na água tratada e associam-se a riscos de doenças. “Tem-se intensificado a busca por alternativas sustentáveis”, diz Reis.

Originária da Índia, a moringa se adapta bem a países tropicais e já tem uso tradicional na alimentação. Folhas e sementes integram a dieta em diversas culturas. Nos últimos anos, as sementes ganharam atenção científica pelo potencial no tratamento de água. Estudo anterior do mesmo grupo já havia comprovado a eficácia da moringa num ciclo completo de tratamento, com floculação, sedimentação e filtração.

O projeto integra a pesquisa “Filtração direta e em linha para remoção de microplásticos da água de abastecimento”, apoiada pela FAPESP.

Fonte: Agro em Campo

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