Reunião reúne governo, indústria e pecuaristas para definir estratégia diante das exigências europeias
Representantes da indústria da carne, pecuaristas e do Ministério da Agricultura se reúnem nesta quarta-feira (8), em Brasília, para alinhar uma estratégia capaz de atender às exigências da União Europeia sobre o uso de antimicrobianos na produção pecuária. O bloco europeu determinou que, a partir de setembro, somente aceitará importações de carnes e derivados com comprovação de que os animais não receberam essas substâncias, o que pode provocar perdas de até US$ 1,8 bilhão por ano ao Brasil. O principal impasse envolve a proposta da indústria de proibir o uso dos produtos no país, medida rejeitada pelos criadores, que defendem a segregação dos animais destinados ao mercado europeu.
Desde a semana passada, o Ministério da Agricultura passou a exigir o controle completo do ciclo de vida desses animais para garantir a rastreabilidade. Em resposta ao Congresso Nacional, a pasta informou que promove reuniões com o setor desde 2023 e afirmou que os sistemas de controle necessários dependem, em grande parte, da iniciativa privada. Segundo o ministério, foram realizadas ao menos 32 tratativas para buscar uma solução antes da entrada em vigor das novas regras europeias.
A Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) mantém posição contrária ao banimento dos antimicrobianos, argumentando que a medida comprometeria a produtividade do rebanho, especialmente pelo uso da monensina, importante para o ganho de peso dos animais.
O encontro, intermediado pela senadora Tereza Cristina, busca construir um consenso que preserve a credibilidade da fiscalização sanitária brasileira, mantenha a competitividade do agronegócio e evite prejuízos às exportações.