Região Centro-Oeste, 16 de julho de 2026

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“Quase uma entidade”: gigante dos céus, harpia reaparece no Pantanal de MS

Expedição tenta localizar ninho e entender comportamento de casal de águias no bioma
Harpia (Harpia harpyja) empoleirada entre galhos de árvore, onde ficou por mais de 1 hora (Foto: Gabriel Oliveira)

Já duram mais de um ano as expedições que o biólogo Gabriel de Oliveira está guiando, no Pantanal de Mato Grosso do Sul, em busca do ninho de um casal de harpias. Elas são nada menos que uma das maiores espécies de ave de rapina do mundo e podem chegar a medir 2,20 metros de envergadura.

“É quase uma entidade que se materializa e desmaterializa de forma imprevisível”, diz o observador de aves.

O primeiro avistamento foi feito pela bióloga Yasmin Pereira e ocorreu em abril de 2024, no Maciço do Urucum, em Corumbá. Depois, o mais marcante foi feito por Gabriel em outubro do mesmo ano, quando a ave atravessou o céu carregando restos mortais de um macaco-bugio. “É como ganhar na Mega-Sena”, comemorou na época.

“Naquele dia, suspeitei que houvesse um ninho e que ele poderia estar próximo. Era um macho levando alimento até lá, onde provavelmente também estaria a fêmea”, lembra o biólogo.

Achar o ninho e desvendar o que ainda não se sabe sobre o comportamento dessas águias no Pantanal segue como o maior objetivo das expedições. Gabriel e os outros membros da empreitada ainda não conseguiram, mas acreditam que estão quase lá.

O fato de o Maciço do Urucum ser explorado pela mineração reforça a importância da busca, pois ela pode implicar em medidas de proteção ao território onde a ave vive. A harpia é classificada como “quase ameaçada” de extinção na lista nacional do ICMBio (Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade).

Harpia vista de cima parece vestir paletó (Foto: Gabriel Oliveira)

Descobertas até agora – É mais comum a águia ser encontrada em áreas da Mata Atlântica e da Amazônia. No Pantanal, o primeiro avistamento foi registrado em 2013, segundo os estudos do biólogo. Na época, era um animal jovem.

Já foram feitas mais de 10 expedições e o casal de harpias se exibiu em várias delas. A busca continua com o apoio do Projeto Harpia Brasil e da Saua Consultoria. O biólogo tem a própria empresa de ecoturismo, por isso, inclui turistas nas buscas.

A conclusão até agora é que somente duas aves foram avistadas todas as vezes. Os especialistas sabem identificá-las por detalhes únicos como plumagem e falhas nas penas, por exemplo.

Gabriel Oliveira (na frente) com o pessoal da Icterus, sua empresa de ecoturismo (Foto: Arquivo pessoal)

Ela é uma espécie poderosa, do topo da cadeia alimentar. Sua presença é alertada pelo canto das gralhas, no Pantanal.  Têm uma dieta variada, composta por mamíferos como macacos, preguiças e quatis, além de aves e outros vertebrados.

Bônus: águia de penacho – A última expedição de junho deste ano rendeu um encontro inesperado com o ninho de outra ave de rapina, a águia de penacho (Spizaetus ornatus).

Bonita e posturada, ela se impôs aos observadores com penas na cabeça que parecem a de um cacique, peitoral e cauda longa que poderiam ser pinturas.

“Tivemos esse feliz encontro por estarmos monitorando a presença desses rapinantes desde o ano passado, gerando o despertar daquela área”, diz Gabriel.

O biólogo conta ainda que fotos de casal de águia de penacho no ninho e o avistamento de harpia viraram presentes de aniversário para uma turista de 15 anos que mora em São Paulo (SP) e veio ao Pantanal de Mato Grosso do Sul com a mãe.

Águia de Penacho observando o Pantanal do galho (Foto: Gabriel Oliveira)

“As águias fazem parte do imaginário e dos sonhos de todos os observadores de aves. Essa turista pediu para observar aves no Pantanal por três dias. Para ela e para nós, foi extremamente emocionante”, finaliza.

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Fonte: Campo Grande News

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