Clima e queda nos investimentos limitam ganhos da bananicultura paulista em 2026
A rentabilidade dos produtores de banana nanica de primeira qualidade no Vale do Ribeira (SP) apresentou recuperação durante o primeiro semestre de 2026, embora os ganhos absolutos continuem operando em patamares bastante apertados. Dados do Cepea apontam que a valorização da fruta garantiu alívio para o setor, mas o cenário reflete um equilíbrio delicado entre os custos e os preços recebidos.
No período, o preço médio recebido pelo produtor atingiu R$ 1,59/kg, alta de 10% em relação ao mesmo intervalo de 2025. Esse avanço foi impulsionado pelo desempenho do mês de março, quando a fruta chegou a R$ 2,16/kg devido à redução na oferta causada por adversidades climáticas, como a estiagem no início do ano e ventos fortes que provocaram o tombamento de plantas.
Por outro lado, o custo de produção subiu 3%, alcançando R$ 1,40/kg. A elevação reflete a contenção de investimentos nas lavouras ao longo de 2025, motivada pela baixa rentabilidade daquele ano. Com a menor intensidade de aportes, a produtividade caiu, prejudicando a diluição dos custos por quilograma colhido.
A partir do final de maio, a queda das temperaturas comprometeu a qualidade da fruta paulista. Ao mesmo tempo, a concorrência com regiões como o Norte de Minas Gerais, que ofertavam produtos mais atrativos e competitivos, pressionou as cotações e impediu novos avanços de preços até o encerramento do semestre.
Assim, embora a rentabilidade média de R$ 0,19/kg represente um salto de 217% frente aos R$ 0,06/kg de 2025, o resultado absoluto evidencia que a atividade no Vale do Ribeira continua operando com reduzida margem de ganho.