Região Centro-Oeste, 15 de julho de 2026

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Apagões e vendavais causam prejuízos bilionários na avicultura

Levantamento mostra que 95% das apólices avícolas no Brasil são inadequadas e falham diante de eventos extremos, como apagões, vendavais e incêndios, agravando prejuízos que ultrapassaram R$ 1 bilhão entre 2023 e 2024 no RS.

Em meio ao aumento da frequência e intensidade de eventos climáticos extremos, como vendavais, apagões e incêndios, o setor avícola brasileiro enfrenta um cenário de vulnerabilidade agravada por falhas estruturais nos seguros rurais. Dados da ABPA (Associação Brasileira de Proteína Animal), em parceria com consultorias especializadas, revelam que 95% das apólices contratadas atualmente no país são inadequadas, deixando milhares de produtores expostos a prejuízos.

Entre os principais problemas está a ausência de cobertura para mortalidade decorrente de falta de energia elétrica, apontada como um dos riscos mais relevantes para a produção em aviários de alta densidade. Segundo levantamento da ANEEL, propriedades rurais brasileiras registraram, em média, 38 horas de interrupção no fornecimento elétrico ao longo de 2024 — período suficiente para causar mortalidade de até 50% das aves, conforme estudos da Embrapa.

As perdas no setor já ultrapassam R$ 1 bilhão somente no Rio Grande do Sul, nos anos de 2023 e 2024. A maioria das apólices vigentes não cobre danos provocados por falhas elétricas, desmoronamentos, microexplosões ou tempestades. Além disso, apenas 35% dos aviários contam com sistemas completos de geração alternativa de energia, como geradores e placas solares.

Diante desse quadro, a Alper Seguros desenvolveu um modelo específico de seguro para aviários, com cobertura voltada aos principais riscos não contemplados nos contratos tradicionais. A nova apólice inclui indenizações para mortalidade por apagões, vendavais, microexplosões, incêndios e danos em equipamentos críticos para a operação, como bombas, fornos, geradores e sistemas solares.

“Mapeamos as principais falhas das apólices vigentes e criamos uma solução que protege não só a estrutura física, mas a própria sobrevivência do negócio”, afirma Giovanni Balen, diretor comercial de agronegócios da Alper Seguros.

A cobertura é estruturada segundo as especificidades regionais. Em Santa Catarina, onde a frequência de vendavais severos cresceu 42% entre 2020 e 2023, as proteções contra intempéries são reforçadas. No Paraná, estado com maior número de interrupções elétricas em áreas rurais, o foco recai sobre danos decorrentes da instabilidade da rede. Já em Goiás, onde os incêndios rurais aumentaram 35% nos últimos anos, o seguro contempla sinistros relacionados ao fogo em vegetação e estruturas.

Geovana Weber Ricardo, produtora em Abelardo Luz (SC), relata ter sido impactada por uma microexplosão que destruiu seu aviário. “Eu nem sabia que isso existia até acontecer aqui. Se não fosse o seguro, eu teria parado tudo e ficado com dívidas por cinco ou seis anos. O investimento era alto: forno, placas evaporativas, energia solar, gerador… perdi tudo, mas consegui reerguer”, relata.

O impacto financeiro desses eventos é elevado. Um aviário de porte médio pode acumular prejuízos diretos de R$ 200 mil a R$ 500 mil por ocorrência, além de perdas indiretas que podem triplicar esse valor. O tempo de recuperação também varia significativamente: produtores sem cobertura adequada demoram até oito meses para retomar a produção, enquanto aqueles com apólices completas reiniciam as atividades em até dois meses.

Entre os diferenciais do modelo criado pela Alper estão:

– Cobertura completa, sem sublimites por tipo de risco

– Franquias lineares

– Proteção para equipamentos essenciais

– Indenização por lucros cessantes durante o período de recuperação

– Cálculo da indenização com base no valor de plataforma, independentemente da idade da ave

Segundo André Lins, vice-presidente de Agro da Alper Seguros, o produto é adaptado à lógica do setor, em que os frigoríficos, por meio de sistemas integrados, assumem a responsabilidade pela contratação do seguro: “Os principais frigoríficos contratam seguros para toda a cadeia de aviários. Em alguns casos, o custo é arcado pelo próprio frigorífico; em outros, repassado ao produtor. Mas a proteção é essencial para garantir abastecimento e sustentabilidade”.

Com mais de 10 mil propriedades rurais seguradas, a Alper avança em sua estratégia de especialização no agronegócio, mirando cadeias produtivas particularmente expostas às variações climáticas. O seguro para aviários integra esse portfólio e busca preencher lacunas históricas em um dos setores mais relevantes da proteína animal no Brasil.

Fonte: Divino Onaldo/Agro & Prosa

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