Região Centro-Oeste, 16 de julho de 2026

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Ciclone extratropical: veja a rota do fenômeno e as regiões mais afetadas

Chuvas fortes, granizo e ventanias de até 100 km/h são esperados em diversas partes do país
Ciclone extratropical se forma no Sul do país e acende alerta — Foto: MetSul

Um novo ciclone extratropical “especialmente perigoso” deve se formar entre esta sexta-feira (7) e o sábado (8) no Rio Grande do Sul, marcando o início de um período de instabilidade severa em boa parte do Brasil.

A previsão indica que o fenômeno será de alta intensidade e poderá ser responsável por tempestades, ventos muito fortes e risco de danos em várias regiões do país, detalha Josélia Pegorim, metereologista da Climatempo.

Ela afirma que a pressão atmosférica no centro do sistema deve ficar abaixo de 1000 hectopascais (hp), um indicativo de forte intensidade. “Quanto mais baixa for a pressão do ar, mais fortes são os ventos que um ciclone extratropical pode gerar. Isso facilita o desenvolvimento de nuvens muito carregadas, com potencial para tempestades”, esclarece.

O cenário, conforme boletim da MetSul, inclui a formação de uma “potente e perigosa linha de instabilidade” que deve avançar rapidamente por Santa Catarina, Paraná e São Paulo, onde também são esperados vendavais destrutivos e possibilidade de fenômenos severos localizados, como microexplosões e até tornados.

A ventania será sentida em praticamente todo o Sul, com rajadas entre 60 km/h e 85 km/h na maioria das áreas, podendo ultrapassar 100 km/h em regiões serranas e litorâneas. O litoral norte gaúcho, Porto Alegre e cidades entre Mostardas e Torres estão entre os locais de maior risco.

O que são e como se formam os ciclones extratropicais?

Segundo o Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet), ciclones são áreas fechadas de baixa pressão atmosférica nas quais os ventos giram no sentido horário no Hemisfério Sul. É justamente este movimento circular que faz com que o ar quente e úmido suba e se concentre no centro do sistema, provocando a formação de nuvens carregadas e, consequentemente, tempestades.

Os ciclones extratropicais são os mais comuns no Brasil. Isso acontece porque, diferentemente dos ciclones tropicais, que têm núcleo quente, o extratropical possui um núcleo frio e é característico das regiões de clima mais ameno. Eles ocorrem entre as latitudes de 30° e 60° dos dois hemisférios e está sempre associado à passagem de uma frente fria.

Qual será o caminho do ciclone?

Veja o caminho do ciclone — Foto: MetSul

Apesar de a formação acontecer no Sul, os efeitos do ciclone não ficarão restritos à região, já que os campos de vento podem atingir centenas de quilômetros de extensão. No Sudeste, a influência começa a ser sentida em São Paulo já na tarde e noite de sexta-feira.

Com o avanço do sistema pelo litoral da região, o sábado deverá ser marcado por temporais, especialmente entre a madrugada e a manhã, com chuva forte e ventos intensos.

As áreas de instabilidade se expandem ao longo do dia, atingindo também Minas Gerais e o Rio de Janeiro. No leste mineiro e no Espírito Santo, a chuva deve se intensificar durante a noite de sábado, tornando o domingo o dia mais instável nessas áreas.

No Centro-Oeste, a nova frente fria e o ciclone extratropical provocam temporais em Mato Grosso do Sul durante todo o fim de semana. À medida que o sistema avança para o Sudeste, o risco de tempestades aumenta também no sul e leste de Mato Grosso, em Goiás e no Distrito Federal.

Mesmo no domingo, com a frente fria posicionada entre o norte de Minas e o Espírito Santo, as condições para pancadas de chuva continuam elevadas em grande parte de Goiás e no Distrito Federal.

O Mato Grosso do Sul será o Estado mais afetado no interior, com rajadas de até 85 km/h. Já em Goiás, Distrito Federal e norte de Minas, os ventos devem variar entre 40 km/h e 60 km/h.

Alertas em diferentes Estados

O risco de tempestades severas, ventania e acumulados expressivos de chuva devido à formação do ciclone fez com que o Inmet emitisse alertas de diferentes níveis para os próximos dias.

Há um alerta vermelho para acumulado de chuva que abrange as regiões noroeste, centro ocidental, sudoeste, Metropolitana de Porto Alegre, nordeste, centro oriental e sudeste Rio-grandense, com validade das 9h às 22h desta sexta-feira. O aviso indica risco de alagamentos, transbordamento de rios e deslizamentos de encostas em áreas vulneráveis.

Alertas do Inmet — Foto: Inmet

Também há um alerta vermelho para ventos costeiros na Região Metropolitana de Porto Alegre e no sudeste rio-grandense, válido das 15h de sexta até o meio-dia de sábado. O fenômeno deve provocar rajadas intensas e mar agitado, com risco de ressaca e danos em estruturas próximas ao litoral.

Outro aviso semelhante foi emitido para Grande Florianópolis, norte e sul catarinense, Vale do Itajaí e parte da Região Metropolitana de Porto Alegre, com vigência entre 12h e 15h do sábado.

Além disso, há também alertas laranjas para tempestades em uma extensa faixa que vai do Rio Grande do Sul ao interior de São Paulo e Mato Grosso do Sul, incluindo áreas do Paraná e de Santa Catarina, em vigor até às 18h de sábado.

Fonte: Globo Rural

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