Devolução de defensivos evita impactos ambientais e riscos à saúde
No Dia Mundial do Meio Ambiente, celebrado em 5 de junho, especialistas reforçam a importância da devolução correta das embalagens de defensivos agrícolas como medida essencial para a preservação ambiental e o cumprimento da legislação. O descarte inadequado desses materiais pode contaminar solos, rios, nascentes e lençóis freáticos, além de causar danos à fauna, à flora e à saúde humana. Cooperativas e entidades do setor alertam que práticas como queimar, enterrar ou abandonar embalagens no campo configuram infrações ambientais e podem resultar em penalidades aos produtores rurais.
A orientação inclui o armazenamento seguro das embalagens, a realização da tríplice lavagem logo após o uso, a perfuração dos recipientes para impedir reutilização e a separação correta de tampas, lacres e materiais não laváveis. Após esses procedimentos, as embalagens devem ser devolvidas aos postos ou centrais de recebimento indicados na nota fiscal, dentro do prazo legal de até um ano após a compra, com a guarda do comprovante de entrega.
Produtores que seguem as recomendações destacam avanços na conscientização do setor agrícola. O agricultor Valter Luiz Milani, de Marialva (PR), afirma que a destinação correta das embalagens tornou-se uma prática comum entre os produtores, contribuindo para a proteção ambiental e para a segurança dos trabalhadores rurais. Segundo ele, o uso de equipamentos de proteção individual e o cumprimento das normas ajudam a evitar contaminações e acidentes nas propriedades.
Dados do Sistema Campo Limpo mostram que 76 mil toneladas de embalagens vazias receberam destinação ambientalmente adequada em 2025, volume 11% superior ao registrado no ano anterior. Desde a criação do programa, em 2002, mais de 902 mil toneladas já foram processadas corretamente. Para ampliar a cobertura, o setor prevê investimentos de R$ 70 milhões neste ano na construção de novas unidades de recebimento e no fortalecimento da logística reversa.
Outro avanço previsto é a implantação de uma fábrica especializada na reciclagem de embalagens contaminadas, atualmente destinadas à incineração. A unidade deverá entrar em operação até 2028 e permitirá elevar para 100% o índice de reaproveitamento das embalagens de defensivos agrícolas. Atualmente, cerca de 92% desses materiais já seguem para reciclagem, consolidando o Brasil como referência mundial na destinação ambientalmente correta desse tipo de resíduo.