Moratória reduziu desmatamento em áreas de expansão agrícola nos últimos anos
Um estudo publicado na revista Science alerta que o fim da Moratória da Soja pode provocar o desmatamento adicional de 1,4 milhão de hectares na Amazônia nos próximos dez anos. A pesquisa aponta que a perda florestal poderia gerar cerca de 745 milhões de toneladas de CO₂ equivalente, volume semelhante às emissões anuais do Canadá.
A Moratória da Soja é um acordo firmado entre empresas, governo e organizações ambientais que impede a compra de soja cultivada em áreas desmatadas após 2008. Segundo os pesquisadores, o mecanismo evitou a perda de aproximadamente 1,8 milhão de hectares de floresta e reduziu em 35% o desmatamento em áreas de risco.
O estudo também aponta que a expansão agrícola pode ocorrer em áreas já abertas, sem necessidade de avançar sobre novas áreas de floresta. O STF deve analisar em agosto quatro ações judiciais que questionam a validade do acordo, após o encerramento das negociações entre produtores, indústria e ambientalistas.
A Associação Brasileira das Indústrias de Óleos Vegetais (Abiove) anunciou em janeiro de 2026 sua saída da Moratória da Soja, aumentando a disputa jurídica sobre o futuro do pacto. O julgamento da Corte poderá definir os próximos passos de uma das principais iniciativas de controle ambiental do agronegócio brasileiro.