Região Centro-Oeste, 16 de junho de 2026

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Mexilhões podem transportar microplásticos até a mesa do consumidor

Estudo da Unirio alerta para risco de contaminação em frutos do mar
Foto: Joycemay

Moluscos filtradores confundem plástico com alimento no mar

Mexilhões podem atuar como uma via de entrada de microplásticos na cadeia alimentar humana, segundo estudo da Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro (Unirio). A pesquisa, publicada na revista científica Ocean and Coastal Research, analisou o comportamento alimentar desses moluscos filtradores e identificou que eles não conseguem diferenciar microalgas, seu alimento natural, de partículas de plástico presentes na água do mar, ingerindo ambos de forma indiscriminada. O experimento foi realizado com exemplares coletados na Praia Vermelha, no Rio de Janeiro, e mostrou que, em ambiente controlado, os animais consumiram tanto microalgas quanto microplásticos em proporções semelhantes, evidenciando ausência de seletividade.

Os pesquisadores explicam que os microplásticos são fragmentos resultantes da degradação de resíduos como embalagens, tecidos, pneus e outros materiais plásticos descartados no ambiente. Essas partículas permanecem na água, no solo e no ar, podendo ser ingeridas por organismos marinhos que realizam filtração, como os mexilhões, e entrar na cadeia alimentar. O estudo também aponta que essas partículas podem carregar contaminantes químicos aderidos à superfície, ampliando o potencial de risco à saúde humana. Além disso, os cientistas alertam que o cozimento dos alimentos não é suficiente para eliminar esses contaminantes.

No desfecho da pesquisa, os autores defendem que a presença de microplásticos nos ecossistemas marinhos exige ações de controle na origem da poluição, com redução do descarte de plásticos no ambiente e maior rigor em políticas públicas ambientais. Também destacam a importância do monitoramento constante de áreas de cultivo de organismos marinhos, como forma de garantir segurança alimentar. A conclusão reforça que, embora o estudo tenha sido realizado em uma localidade específica, o comportamento observado nos mexilhões tende a ser semelhante em outros litorais, ampliando a preocupação sobre o consumo de frutos do mar contaminados.

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