Agentes do setor adotam estratégias distintas diante da oscilação de preços
O preço do algodão em pluma segue em trajetória de queda no mercado interno brasileiro, mas ainda mantém vantagem em relação à paridade de exportação, segundo o Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea). O indicador Cepea/Esalq registrou nesta terça-feira (16) cotação de R$ 4,1509 a libra-peso, acumulando recuo de 3% apenas em junho, o que reforça o sexto mês consecutivo de baixa no setor. O movimento reflete um cenário de maior pressão tanto no mercado doméstico quanto no internacional, influenciado pela redução das cotações globais e pelo ritmo mais cauteloso das negociações.
No ambiente interno, o comportamento dos agentes varia conforme a estratégia de cada elo da cadeia produtiva. Parte dos vendedores, mais capitalizados, mantém firmeza nos preços e prioriza o cumprimento de contratos a termo, enquanto outros optam por liquidar estoques remanescentes da safra 2024/25. Ao mesmo tempo, já começam a chegar ao mercado físico lotes da safra 2025/26, com destaque para produções de São Paulo e da Bahia, o que amplia a oferta disponível e intensifica a pressão sobre as cotações.
Pelo lado da demanda, a indústria segue atuando com forte resistência a preços mais altos, condicionada ao baixo desempenho das vendas de seus produtos finais. Diante desse cenário, compradores buscam valores mais baixos e negociações pontuais, enquanto comerciantes adotam postura cautelosa e priorizam operações “casadas” para reduzir riscos. Apesar da queda contínua, o algodão brasileiro ainda se mantém relativamente competitivo quando comparado ao mercado externo, mas o equilíbrio entre oferta crescente e demanda enfraquecida segue determinando o ritmo das negociações no setor.