Região Centro-Oeste, 16 de junho de 2026

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El Niño forte pode reduzir oferta de alimentos e encarecer cesta básica

Economistas apontam risco de redução na oferta agrícola
Foto: Divulgação

O avanço de um possível super-El Niño acende alerta entre economistas e produtores ao indicar risco de forte pressão sobre os preços dos alimentos no Brasil, em um cenário já marcado por inflação persistente e aumento expressivo de itens da cesta básica. Em Campo Grande, produtos como batata, cebola, tomate e feijão acumulam altas superiores a 70% neste ano, reforçando a preocupação com o impacto de eventos climáticos extremos na oferta agrícola.

A Administração Nacional Oceânica e Atmosférica dos Estados Unidos (Noaa) confirma a formação do fenômeno e aponta possibilidade de intensidade elevada, com efeitos globais sobre o regime de chuvas e temperaturas. O aquecimento anormal das águas do Oceano Pacífico altera padrões climáticos e pode provocar secas prolongadas, ondas de calor e chuvas intensas em diferentes regiões produtoras. Especialistas destacam que culturas mais sensíveis ao clima tendem a ser as mais afetadas, especialmente hortifrúti e grãos voltados ao consumo interno. Em Campo Grande, dados do IPCA mostram que a batata-inglesa subiu mais de 100%, enquanto cebola e tomate também registram altas significativas em 2026.

O economista Eduardo Matos afirma que o super-El Niño tem potencial de reduzir a oferta de alimentos e ampliar pressões inflacionárias já em curso. Segundo ele, commodities de exportação como soja e milho tendem a sofrer menos impactos diretos do fenômeno climático. Já alimentos de consumo diário, como arroz, feijão e verduras, podem registrar perdas relevantes na produção e maior volatilidade de preços. Para o consumidor, o efeito mais imediato deve ser sentido no supermercado, com aumento no custo da alimentação básica e pressão adicional sobre o orçamento familiar.

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